Mari Rua: da Zona Leste para o mundo, a voz que transforma moda e cultura em movimento

Residente da Zona Leste há 30 anos, Marina — mais conhecida como Mari Rua — carrega no nome artístico o lugar de onde veio e que a formou.
Pedagoga por formação, encontrou na arte e na moda uma maneira de ampliar seu trabalho de educadora.
“Eu sempre acreditei que o conhecimento não precisa ficar preso às salas de aula. Ele pode estar nas ruas, nas roupas, na música, em cada manifestação da nossa cultura”, conta Mari, lembrando como o hip hop foi a grande inspiração para sua trajetória.
A Moda Nossa: quando vestir é resistir
Em 2015, Mari lançou a marca A Moda Nossa, um projeto que vai além da estética.

Foto: Duda Cetra – Edição: Giovanna Vitti
Com base na economia circular, ela reutiliza peças de vestuário e as transforma em obras de resistência cultural. Grafites, recortes e cores vibrantes estampam cada criação.

Obras produzidas por alunos do projeto – Segue os passos – Encontro dos Maneiros – Foto: Duda Cetra – Edição: Giovanna Vitti
“A moda é um espelho da sociedade. Eu quero que esse espelho reflita a quebrada, a criatividade e a força que temos aqui”, explica.
Cada roupa é um manifesto. Vestir uma peça de Mari Rua é vestir uma ideia, uma memória e uma identidade.
Encontro dos Maneiros: cultura que pulsa na praça
Da marca nasceu um movimento. O Encontro dos Maneiros já é tradição na região e chega à 12ª edição no dia 31 de agosto, em versão reggae, como homenagem ao artista visual Gabriel Araújo (Konfuzão), amigo de Mari.
O evento, organizado pelo coletivo Passos Periféricos, fundado por ela, acontecerá na Praça Dueré, no Carrão, e reunirá artistas, empreendedores e moradores.

À esquerda de óculos o influenciador – Thiagson – no centro -Vera Curado – ADM do Adebanké e produtora cultural – À direita de camisa jeans azul – Nivia Pedralina – Psicóloga – Foto: Duda Cetra – Edição: Giovanna Vitti
“O Encontro dos Maneiros é mais do que festa. É resistência, é memória e é futuro. É a prova de que a cultura da periferia não apenas resiste, mas floresce”, afirma Mari.
Arte, ativismo e consciência
Além da moda e da produção cultural, Mari faz questão de usar sua voz para ampliar debates essenciais.

Nivia Pedralina – Psicóloga infanto juvenil – CAPS – Foto: Duda Cetra – Edição: Giovanna Vitti
O coletivo Passos Periféricos promove rodas de conversa sobre saúde mental, educação financeira, sexualidade e consciência de classe.
“Eu acredito na juventude periférica. Eles são potência. Só precisam de espaço e oportunidade para mostrar isso”, reforça.
Alianças ancestrais: as Pretas Bas e o Adebanké
Na caminhada, Mari encontrou apoio nas Pretas Bas — mães Angelina, Graça e Marlene — guardiãs do espaço cultural Adebanké, que acolheu o projeto Segue os Passos por oito meses.

Foto: Duda Cetra – Edição: Giovanna Vitti
A cena das três mulheres de turbantes coloridos, abençoando a finalização de um projeto durante o Encontro dos Maneiros, tornou-se símbolo da força coletiva que sustenta Mari.
“Não caminhamos sozinhos. Caminhamos com quem veio antes de nós, com quem nos acolhe e com quem acredita no que fazemos”, diz a artista, emocionada.
Mari Rua: Voz periférica em ascensão
Mais do que uma estilista ou produtora cultural, Mari Rua se tornou referência.

Foto: Duda Cetra – Edição: Giovanna Vitti
Sua imagem ultrapassa a figura da artista para se tornar a de uma líder cultural e comunitária, alguém que transforma cada conquista em vitória coletiva.
Hoje, ela é reconhecida como uma voz da periferia — não pela fama passageira, mas pela capacidade de unir moda, arte e ativismo em um só movimento.

Mari Rua a esquerda – a direita Egito²¹ – Foto: Duda Cetra – Edição: Giovanna Vitti
“Meu maior sonho é que a periferia continue criando, que os jovens acreditem em seus talentos e que a cultura seja sempre nossa maior arma. Porque quando a quebrada brilha, o mundo inteiro precisa olhar.”
Mari Rua não é só artista. É farol, é movimento, é revolução. E sua luz só está começando a iluminar o mundo.









