A felicidade virou uma escolha diária, um exercício de resistência”: Wogue estreia com ‘A vida vai pra cima’ e transforma liberdade em manifesto pop
Cantora, compositora e produtora apresenta seu primeiro single autoral unindo pop e rap melódico em uma reflexão sobre propósito, autenticidade e a coragem de construir a própria felicidade

Existe um momento na vida em que quase todo mundo se vê diante da mesma pergunta: “Eu estou feliz?”. Para a cantora, compositora e produtora Wogue, esse questionamento foi o ponto de partida para a criação de “A vida vai pra cima”, single que marca sua estreia oficial no mercado fonográfico e chega como um manifesto sobre liberdade, autoconhecimento e a decisão consciente de seguir em frente mesmo quando a vida parece distante dos planos traçados na infância.
A faixa nasceu de uma experiência profundamente pessoal. Em um período de insatisfação e dúvidas, a artista percebeu que estava vivendo uma realidade diferente daquela que havia imaginado para si. Em vez de se conformar, decidiu transformar essa inquietação em arte.
“A felicidade virou uma escolha diária, um exercício de resistência. Eu me vi vivendo uma vida que não era exatamente aquela que tinha imaginado quando era criança. Muitas coisas fugiam do meu controle, mas eu precisava descobrir se estava feliz e o que poderia fazer para mudar isso.”
Mais do que um relato autobiográfico, a canção se tornou uma espécie de declaração de independência emocional. Wogue defende que a felicidade não deve ser encarada como um prêmio reservado para o futuro, mas como uma experiência possível durante a caminhada.
“Eu entendi que a felicidade não era um sucesso lá na frente. Ela podia existir agora. Ela estava nas pequenas coisas, no processo, na liberdade de ser quem eu sou. Quando decidi correr atrás do meu sonho e aceitar minha própria identidade, toda a minha forma de existir mudou.”
A mensagem ganha ainda mais força em um cenário cultural marcado por discursos de esgotamento, ansiedade e frustração. Sem ignorar as dificuldades da vida, Wogue propõe um olhar diferente: o de quem escolhe permanecer em movimento.
“Eu não estava feliz, mas também não desisti. Continuei refletindo, continuei caminhando e decidi realizar aquilo que eu acreditava que poderia me fazer feliz. Foi através desse processo que descobri meu propósito.”
*Um projeto construído com as próprias mãos*
“A vida vai pra cima” não é apenas o lançamento de uma música. É a apresentação de uma artista que fez questão de participar de praticamente todas as etapas criativas do projeto.
Além de assinar a composição, Wogue esteve envolvida na construção estética do trabalho, acompanhando decisões visuais, conceituais e criativas para garantir que a mensagem permanecesse íntegra do início ao fim.
Essa postura tem relação direta com sua visão sobre independência artística. Para ela, controlar o próprio processo é também uma forma de preservar autenticidade.
Ao longo dos últimos anos, a cantora dedicou tempo à construção cuidadosa desse universo criativo, desenvolvendo uma identidade que transita entre o pop contemporâneo, o rap melódico e referências literárias, teatrais e audiovisuais.
*Da literatura para a música*
Poucos artistas chegam ao mercado carregando uma bagagem acadêmica tão conectada à linguagem quanto Wogue.
Formada em Letras e mestre em Estudos da Linguagem pela PUC-Rio, ela enxerga a escrita como uma ferramenta essencial para a criação musical.
“A literatura me trouxe muito repertório, muita imaginação e muitas experiências que eu vivi através das histórias. Acho que minha capacidade de criar narrativas é uma das coisas que mais influenciam a forma como componho.”
Sua relação com a arte começou ainda na infância, cercada por referências culturais e experiências ligadas à música, ao teatro e à leitura. Esse conjunto de influências ajudou a moldar uma artista que transita com naturalidade entre diferentes formas de expressão.
*Teatro, coral e cultura geek: a construção de uma artista plural*
Muito antes de lançar seu primeiro trabalho autoral, Wogue já acumulava experiências em diferentes linguagens artísticas.
O teatro teve papel fundamental em sua formação, ajudando-a a desenvolver presença de palco e confiança criativa. O canto coral contribuiu para o desenvolvimento técnico da voz, enquanto a música pop se consolidou como uma paixão cultivada desde a infância.
Mais recentemente, sua atuação como vocalista da banda ANIMETRONIKS ampliou ainda mais suas referências musicais e performáticas.
“O teatro me trouxe coragem para me expressar. O canto coral me ajudou a descobrir minha natureza vocal. A música pop sempre foi uma paixão. Tudo isso se mistura e forma quem eu sou hoje como artista.”
*Rodrigo Auad: o parceiro por trás da estreia*
Se “A vida vai pra cima” representa a realização de um sonho, Wogue faz questão de destacar que essa trajetória não foi construída sozinha.
Ao seu lado está o produtor musical Rodrigo Auad, parceiro criativo que acompanha sua caminhada há anos.
A relação entre os dois começou ainda na faculdade e evoluiu para uma colaboração artística intensa, envolvendo covers, composições e projetos autorais.
“Depois de mim, Rodrigo é a pessoa mais responsável por esse sonho estar acontecendo. Ele esteve presente durante todo o processo, desde a produção musical até as gravações e o desenvolvimento das ideias.”
A artista relembra noites inteiras de trabalho, experimentação e aprendizado compartilhado.
“A gente passou horas produzindo juntos, testando sons, experimentando arranjos, gravando e aprendendo. Foi uma construção muito verdadeira e muito importante para mim.”
Segundo ela, a parceria ainda deve render novos capítulos.
“Esse é apenas o primeiro símbolo de algo maior. Temos outras músicas e outros projetos juntos que ainda podem aparecer.”
*Um videoclipe que levou anos para amadurecer*
A jornada de “A vida vai pra cima” não termina na música.
O videoclipe oficial do single foi desenvolvido ao longo de aproximadamente três anos e acompanha a mesma proposta de liberdade presente na composição.
Gravado no Parque Municipal de Itaipava, na Região Serrana do Rio de Janeiro, o vídeo utiliza grafites, paisagens naturais e cenas sobre patins para simbolizar movimento, transformação e autonomia.
O longo período de produção permitiu que o projeto amadurecesse junto com a própria artista, tornando-se um retrato visual de sua evolução pessoal.
*A vida pode ir para cima*
Embora tenha nascido de uma experiência íntima, Wogue espera que a música encontre espaço na história de outras pessoas.
Mais do que transmitir uma mensagem específica, ela deseja provocar uma sensação.
“Eu espero que a música gere uma vibe positiva. Que as pessoas sintam leveza, sintam que é possível mudar alguma coisa dentro delas. Se a canção conseguir fazer alguém olhar para a própria vida com mais esperança, já valeu a pena.”
Em tempos de pressa, comparação constante e busca incessante por validação, “A vida vai pra cima” surge como um convite para desacelerar e lembrar que felicidade talvez não esteja na linha de chegada.
Talvez ela esteja justamente no caminho. E na coragem de continuar seguindo por ele.










