Veterinária sem Filtro by Larissa Martirani

Alerta de surto no estado de São Paulo de FEBRE MACULOSA! Mas você sabe o que é?

Após terem sido relatados algumas mortes pelo Instituto Adolfo Lutz, em decorrência da doença, após eventos, na Fazenda Santa Margarida, Campinas, que recebeu um total de 13.500 pessoas. Foi emitido um alerta sobre o surto. Antes de entrar em pânico. Vamos entender um pouco sobre a doença. A Febre Maculosa é uma Zoonose! O que é isso? São doenças infecciosas transmitida entre animais e pessoas. No caso da Febre Maculosa, o vetor (quem transmite a doença) é o carrapato-estrela. Mas existe diferença entre os carrapatos? Sim, esse como o próprio nome diz possui um desenho em sua casca (escudo) que remete a “estrela”, quando adulto, tende a ficar grande do tamanho de um feijão. Normalmente vive no meio rural, esperando um hospedeiro no meio das plantas. Costuma estar nos pastos no período de março a julho, quando encontra um hospedeiro, humano ou animal, ele salta para se fixar em sua pele. Para poder se alimentar do sangue desses hospedeiros. Vamos falar um pouco do ciclo desse vetor. — Fêmea fecundada e ingurgitada (cheia de ovos), se desprende do hospedeiro e cai no ambiente, onde deposita no solo de 3 a 4 mil ovos e morre. — Em condições satisfatórias de temperatura e umidade, ocorre a incubação, as larvas eclodem após 65 dias e buscam o hospedeiro, sugam seu sangue e vão ao solo. Em seguida, fazem a muda em ninfa, e vão buscar um novo hospedeiro. — As ninfas e larvas podem sobreviver meses no solo sem hematofagia. (Sem se alimentar do sangue do hospedeiro). — As ninfas buscam um novo hospedeiro onde ficam de 5 a 7 dias sugando sangue. Depois vão ao solo e sofrem a segunda muda, virando adulto macho ou fêmea. — No novo hospedeiro, acasalam e a fêmea suga o sangue até ficar ingurgitada e voltar ao solo para

ovipostura. Importante: Todas as fases do carrapato-estrela podem transmitir a doença. Devido à quantidade de ovos e tendo ambiente favorável a proliferação da espécie é muito rápida. O Carrapato Estrela parece com mais frequência em capivaras e animais de grande porte como cavalos e bois. Mas pode ser encontrado em outros animais, como: gambás, coelhos, micos, aves domésticas, répteis e também em animais de estimação, como gatos e cachorros. Seu habitat são pastos, gramados, entre folhas secas, beira de lagoas, córregos e rios. Como ele se contamina? Se contamina quando vai se alimentar do sangue do hospedeiro que tenha a bactéria

Rickettsia. E dessa mesma forma ao picar um novo hospedeiro, inocula através de sua saliva a bactéria, transmitindo a doença. Para a transmissão geralmente é necessária que o carrapato permaneça por um período de 4 a 6 horas. Vale ressaltar: Não existe a possibilidade da doença passar diretamente de pessoa para pessoa e nem através do contato com animais infectados. Apenas o carrapato infectado pela bactéria

Rickettsia, transmite a doença. Via placentaria,no acasalamento ou na hora de se alimentar. Quais são os sintomas? — Febre — Dor de cabeça — Dor no corpo — Vômito — Diarreia — Manchas avermelhadas pelo corpo Os sintomas aparecem de 12 a 14 dias, após a picada pelo carrapato infectado. Existe tratamento? Sim, desde que o tratamento seja iniciado rapidamente e com orientação médica adequada. Tratamento é feito com antibióticos. Logo nas primeiras doses, o quadro começa a regredir e evolui para a cura total. Porém, a doença apresenta alta letalidade se não tratada precocemente.  Existe diagnóstico? Sim, se dá pela junção dos sintomas e exames de sangue.  E prevenção? Apesar de ser grave, a doença do carrapato é muito fácil de prevenir. A melhor forma de proteger é utilizar nos animais um carrapaticida adequado. Para o ambiente você pode usar veneno como por ex: Butox, é conhecido como um potente eliminador de carrapatos. Utilização de roupas adequadas, como botas e blusas com mangas compridas, de preferência clara, durante o trabalhar no campo, principalmente no período em que os carrapatos costumam ser encontrados na forma imatura, em que mais transmitem a doença. Outra recomendação é procurar caminhar sempre por trilhas, evitando passar por áreas com mato, mesmo que este esteja baixo. Além disso, o trabalhador deve fazer inspeções constantes pelo corpo, durante a lida no campo e ao final do dia. Baias e locais onde ficam os animais devem estar sempre muito bem higienizados. Uma observação importante ao retirar o carrapato nunca deve espremê-los entre os dedos, pois dessa forma libera-se a bactéria causadora da febre maculosa. E sempre tentar remover com algo que não deixe pedaços do animal. Depois jogá-los em uma panela de água fervente ou em um recipiente com álcool 70%. Espero ter tirados várias dúvidas. E em caso de sintomas procure imediatamente um hospital.

Eu trabalhando no I.C.B, numa pesquisa com carrapatos.

Larissa Martirani

Larissa Martirani é Médica Veterinária especialista em animais de grande porte. Influenciadora e estrategista de marketing digital. Colunista do Tô Na Fama! portal parceiro de conteúdo do IG. Instagram: https://www.instagram.com/larimartirani/

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