Camila Olivieri faz balanço de “Dona de Mim”, celebra trajetória e projeta novos caminhos para 2026

Às vésperas de completar 40 anos, Camila Olivieri encerra um ciclo importante na televisão com a reta final de Dona de Mim. Na novela, a atriz dá vida a Lorena, funcionária da Boaz e moradora de São Cristóvão que encontra na união com outras mulheres a força para reivindicar direitos e dignidade no ambiente de trabalho. O papel marca não apenas mais um trabalho no currículo, mas um momento de maturidade artística e reflexão sobre sua caminhada até aqui.
Para Camila, a televisão sempre foi um objetivo claro — não apenas pelo alcance, mas pelo impacto cultural. “A novela tem um papel fundamental na formação do imaginário coletivo. Eu cresci assistindo, aprendendo e me reconhecendo nesses produtos. Venho da cultura popular e é com esse público que quero dialogar”, afirma a atriz, que nasceu, cresceu e segue morando no subúrbio do Rio de Janeiro.
Dona de Mim também representou um desafio inédito em sua carreira: foi o trabalho mais longo que já realizou na TV. “Nunca tinha vivido uma rotina tão intensa. Quando as gravações passaram a ser quase diárias, percebi o quanto esse ritmo exige. Cheguei a aplaudir a Clara Moneke no camarim, de tanta admiração. Ser protagonista de uma novela por tanto tempo é algo realmente impressionante”, relembra.
A atriz faz questão de destacar o texto e a condução da trama, assinada por Rosane Svartman, com quem trabalhou pela segunda vez. “Rosane é uma autora que não foge do conflito. Ela provoca, levanta debates importantes e ainda consegue inserir referências do teatro e da literatura em um produto extremamente popular. Isso é potente e necessário”, avalia.
A relação de Camila com a arte começou cedo. Ela estreou profissionalmente ainda criança, aos 7 anos, e construiu uma base sólida ao longo de uma década no grupo Nós do Morro, experiência que considera decisiva. “Foi ali que aprendi sobre coletividade, disciplina e resistência. Mesmo tendo formação acadêmica, nada foi tão transformador quanto o Nós do Morro. Aquele espaço ampliou minha visão de mundo e me ensinou a perseverar”, diz.
Ao longo da carreira, Camila acumulou passagens por novelas como A Força do Querer, Malhação e Sob Pressão, além do humor em Tô de Graça. Também esteve em projetos de streaming, como Vicky e a Musa, Brasil Imperial e Juntas e Separadas, e no cinema, em títulos como De Pernas pro Ar 3 e Partiu Fama. Em 2025, esse mergulho no audiovisual foi ainda mais intenso — e deixou vontade de seguir explorando novos formatos.
“Esse último ano me deu um impulso enorme. Deu aquele gosto de ‘quero mais’”, confessa. Para 2026, a atriz já tem planos concretos: está confirmada em uma nova série escrita por Thalita Rebouças, com estreia prevista no Globoplay, e também pretende retornar aos palcos. “O teatro é o meu lugar de origem e para onde eu sempre quero voltar”, reforça.
Ao refletir sobre sua trajetória, Camila reconhece os obstáculos que enfrentou — muitos deles estruturais. “Hoje eu entendo que esse espaço da arte não foi pensado para pessoas como eu. Mas talvez, se eu tivesse tido essa clareza lá atrás, tivesse desistido. ‘Fazer meu nome’, para mim, é ocupar espaços, permanecer neles e ajudar a abrir caminho para quem vem depois”, conclui.









