
A trajetória de Ronaldo Goulart, 32 anos, representa um dos exemplos mais sólidos de ascensão no empreendedorismo brasileiro recente. Ele chegou a Curitiba com apenas R$ 230 no bolso e a necessidade imediata de gerar renda após concluir a graduação em Zootecnia pela UTFPR. Sem apoio financeiro dos pais e distante de uma oportunidade formal, decidiu vender paçoca nos semáforos da cidade como forma de garantir o próprio sustento e criar fluxo de caixa imediato. A escolha, que poderia parecer improvisada, foi estratégica: ele buscava exposição, contato com potenciais clientes e movimento, elementos que considera fundamentais para qualquer pessoa que deseja iniciar um negócio.
Foi justamente essa postura ativa que abriu o caminho para sua primeira virada profissional. Enquanto vendia no trânsito, recebeu uma proposta para trabalhar como vendedor em uma loja de eletrônicos. A experiência revelou uma afinidade natural com o varejo e lhe permitiu compreender a lógica de um setor competitivo, que depende de agilidade, confiança e relacionamento. Em poucos meses, destacou-se pelo comprometimento, pela disposição em criar soluções e pela mentalidade de dono, características que o aproximaram do perfil de empreendedores de alta performance.
Depois de seis meses de atuação no comércio de eletrônicos, decidiu iniciar sua própria operação. O primeiro teste foi simples: comprou um celular por R$ 1.200 e vendeu por R$ 1.600 no dia seguinte. O resultado confirmou que havia demanda e abriu espaço para que ele desenvolvesse seu próprio modelo de negócio. A partir daí, passou a operar sozinho, acumulando todas as funções — compras, vendas, pós-venda, entregas, financeiro — sempre com uma rotina extensa, que começava antes do amanhecer e se estendia até a noite. Esse período, marcado por disciplina e atendimento personalizado, foi determinante para a construção de uma base fiel de clientes e para a reputação de confiança que sustenta o negócio até hoje.
A empresa cresceu de forma orgânica e consistente, até atingir, nos melhores meses, faturamento próximo de R$ 1 milhão. Para Ronaldo, esse resultado é consequência direta da constância diária, da disciplina e da coragem de seguir trabalhando mesmo diante de incertezas. Ele destaca que os valores herdados da família ética, honestidade e responsabilidade foram fundamentais para sua trajetória e continuam servindo como pilares para a operação, influenciando desde a relação com clientes até a gestão de equipe.
Apesar do crescimento financeiro, Ronaldo afirma que o propósito da empresa vai além do lucro. O que o move é o impacto que seu trabalho gera: proporcionar conforto à família, criar oportunidades para colaboradores e entregar valor aos clientes. Ele acredita que o verdadeiro diferencial competitivo está na cultura e no propósito que o negócio carrega, não apenas nos resultados financeiros.
Com a operação consolidada em Curitiba, ele agora mira a expansão nacional. O plano envolve ampliar a atuação em marketplaces, diversificar o portfólio de produtos, aprimorar a logística e fortalecer a experiência do consumidor. A ambição é transformar o negócio regional em uma marca relevante no mercado nacional de eletrônicos e, futuramente, internacional.
Ronaldo reforça que, para quem deseja empreender, não existe momento perfeito para começar. Segundo ele, a ação é o que produz clareza. “É começando que tudo se encaixa. Se estiver com medo, vai com medo mesmo. Mas esteja em movimento”, diz.









