Disputa bilionária exposta: série do Globoplay revela bastidores da batalha pela herança de Anita Harley, dona da Pernambucanas
Produção inédita mergulha em guerra judicial prolongada, relações afetivas contestadas e no destino de um dos maiores patrimônios do varejo brasileiro

Uma fortuna bilionária, uma herdeira incapacitada e uma disputa que atravessa anos nos tribunais brasileiros ganharam projeção nacional com o lançamento de uma série documental no Globoplay. A produção revela os bastidores do caso envolvendo Anita Harley, apontada como uma das principais acionistas da Casas Pernambucanas, e coloca em evidência uma complexa batalha por patrimônio, poder e reconhecimento de vínculos afetivos.
Desde 2016, quando sofreu um acidente vascular cerebral, Anita permanece em estado de coma, sem condições de se manifestar ou tomar decisões. A situação abriu caminho para uma longa disputa judicial em torno da curatela, mecanismo legal que define quem passa a responder por seus interesses pessoais e financeiros. Em jogo está uma fortuna estimada em mais de R$ 1 bilhão, podendo alcançar cifras ainda maiores conforme avaliações mais amplas de seus ativos.
O caso envolve personagens que apresentam versões conflitantes sobre a vida pessoal da empresária. De um lado, a ex-secretária Cristine Rodrigues afirma ter sido escolhida por Anita para cuidar de seus interesses, sustentando que mantinha uma relação de confiança e proximidade com a herdeira. Do outro, Sônia Soares, conhecida como Suzuki, afirma ter vivido um relacionamento afetivo de décadas com Anita, tese que foi reconhecida judicialmente como união estável.
A disputa ganha novos contornos com a presença de Artur Miceli, filho biológico de Suzuki, que teve reconhecido na Justiça o vínculo de filiação socioafetiva com Anita. Com isso, ele passa a figurar como herdeiro direto e também assume papel relevante na administração do patrimônio, decisão que é contestada por outros envolvidos no processo.
Entre os bens no centro da controvérsia está uma mansão localizada em área valorizada de São Paulo, avaliada em cerca de R$ 50 milhões. O imóvel foi transferido para o nome de Suzuki, o que também passou a ser questionado no contexto das ações judiciais. Além da residência, empresas ligadas à estrutura societária da herdeira também entram no radar de disputas, incluindo divergências sobre gestão, contratos e pagamentos a prestadores de serviço.
A série documental apresenta depoimentos de pessoas próximas, advogados e envolvidos no caso, além de reunir documentos e análises jurídicas que ajudam a compreender a complexidade da disputa. A narrativa destaca as constantes reviravoltas, com decisões judiciais que ora validam, ora contestam vínculos e direitos, mantendo o caso em permanente instabilidade.
Sem buscar uma versão definitiva dos fatos, a produção aposta na exposição das diferentes perspectivas que cercam a história, evidenciando como relações pessoais, interesses financeiros e interpretações jurídicas se entrelaçam em um cenário de difícil consenso. O trabalho também levanta reflexões sobre situações em que indivíduos incapacitados se tornam o centro de disputas, especialmente quando envolvem grandes patrimônios.
Ao transformar o caso em série, o Grupo Globo amplia o alcance de uma história que segue em andamento nos tribunais e ainda não tem desfecho. Enquanto isso, o futuro do império ligado à dona da Pernambucanas permanece indefinido, marcado por uma disputa que mistura herança, poder e versões que continuam em confronto.









