Coluna Rodrigo Teixeira

“É uma tatuagem que está na pele, não na certidão de nascimento”, comenta Ullisses Campbell sobre criminosos que mudam de nome

Escritor brasileiro especialista em true crime foi entrevistado por Luciana Gimenez no podcast Bagaceira Chique

O jornalista e escritor Ullisses Campbell, vencedor do Prêmio Esso e autor de biografias sobre figuras controversas como Suzane von Richthofen, Elize Matsunaga, Flordelis e o Maníaco do Parque, foi o entrevistado do podcast Bagaceira Chique, apresentado por Luciana Gimenez. Durante a conversa, Campbell revelou detalhes de crimes reais, que inspiraram a série Tremembé, da Prime Video, na qual também é roteirista. Ele não hesitou em expor suas opiniões sobre alguns dos casos criminais mais conhecidos do Brasil, além de levantar questões polêmicas sobre o sistema penal do país.

Em uma das declarações, o jornalista abordou a questão da mudança de nome de criminosos, como Daniel (ex-Cravinhos), Suzane (ex-von Richthofen) e Ana Carolina (ex-Jatobá). “Eu acho que podem trocar de nome, mas o estigma fica, porque o emblema do crime é uma tatuagem que está na pele, não está na certidão de nascimento”, afirmou.

Campbell também fez críticas à cultura de celebridade que se formou em torno desses criminosos, mencionando como figuras que ganham popularidade nas redes sociais. “Estamos importando a cultura norte-americana. A Suzane, por exemplo, tem um Instagram com 30 mil seguidores e o Daniel também”, disse.

A entrevista também tocou no polêmico tema das “saidinhas” de presos, especialmente de figuras como Suzane que, em 2019, saiu no Dia das Mães. “ Eu preferiria que ela [Suzane] continuasse saindo no Dia das Mães. Sabe por que? Porque escandaliza mais. Você fica escandalizado. Agora, eles só mudaram a data”, explica Campbell.

O convidado ainda fez uma comparação com o caso do Maníaco do Parque, que em 2028, após 30 anos de prisão. “Simplesmente a porta da penitenciária vai abrir e ele vai sair pela primeira vez nesses 30 anos. Eles vão colocar um monstro para fora da cadeia. Não deveria nem sair”, disse Campbell, questionando a efetividade da ressocialização do criminoso.

Em suas palavras, o modelo de “saídas conta-gotas” permite que os presos, como Nardoni, Suzane e Daniel, fossem acompanhados de forma mais eficiente. “É justamente para a gente saber como eles vão se comportar. A questão básica para você ter a saidinha é: ‘para onde você vai?’. A cadeia não pode ser só um depósito de assassinos. Essas pessoas estão sendo castigadas porque estão sendo privadas de liberdade, mas têm que ser reabilitadas”, concluiu.

A entrevista foi marcada por questionamentos sobre o sistema judiciário e a forma como a sociedade lida com figuras envolvidas em crimes de grande repercussão. Clique aqui e assista o episódio na íntegra!

Rodrigo Teixeira

Repórter com mais de 13 anos de carreira. Formado em jornalismo pela Estácio de Sá e pós graduado em Metodologia do Ensino Superior pela Escola do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro (Elerj). Com experiência em diversos segmentos do jornalismo, entre eles, no meio corporativo, artístico, e no poder público. Com passagem pelas redações dos maiores portais de internet do país, inclusive á produziu conteúdo para o portal iG. Experiência de gestão, redação e projetos especiais para o on-line dos Jornais O Dia e Meia Hora. Web Repórter da Rede TV, na sucursal do Rio de Janeiro e correspondente do programa "Tô na Fama", da Rede TV do Tocantins.
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