Ferréz celebra 25 anos de Capão Pecado e anuncia projetos para os próximos 50 anos da literatura periférica

O Sesc foi palco de uma celebração histórica: os 25 anos de Capão Pecado, obra de estreia de Ferréz que se tornou um marco da literatura periférica no Brasil. O evento não apenas homenageou um clássico, mas também projetou o futuro. Durante a ocasião, o escritor anunciou iniciativas que devem marcar os próximos 25 — e até 50 — anos de sua trajetória e da cultura das quebradas.
Publicado em 2000, Capão Pecado trouxe para a cena literária uma narrativa inédita sobre a periferia paulistana, com linguagem direta e marcada por dores, resistências e vivências reais. O livro não apenas lançou Ferréz como escritor, mas também inaugurou um movimento de literatura marginal que inspirou gerações e rompeu barreiras no mercado editorial.
Novos rumos e projetos coletivos
Na celebração, Ferréz revelou a criação de uma nova empresa, prevista para ser lançada em dezembro. Segundo ele, a ideia é realizar “a coisa do jeito que a gente sempre sonhou, sem regras, sem filtro, porque não temos que ter limites quando se trata da periferia e do nosso povo”.
O autor também falou sobre seu desejo de construir uma “dinastia da quebrada”:
> “Já ficaram muitos nomes históricos de famílias hereditárias. Está na hora de nomes da nossa quebrada ficarem imortalizados também. Trazer uma nova forma de alimentar a história e trazer à tona a cultura de novas famílias.”
Ferréz destacou ainda iniciativas já em curso, como a Comix Zone e a marca 1Dasul, ambas em expansão, além de um novo site e parcerias estratégicas. O objetivo é que essas ações se consolidem como um projeto coletivo de longo prazo, capaz de transformar cultural e economicamente a periferia.
“Tem que estar bom para muita gente, só para uma minoria não adianta”, afirmou.
Reconhecimento internacional
Além de Capão Pecado, Ferréz é autor de títulos como Manual prático do ódio, Ninguém é inocente em São Paulo e Deus foi almoçar. Suas obras foram traduzidas em países como Itália, Alemanha, Inglaterra, Portugal, França, Espanha e Estados Unidos, consolidando-o como um dos mais importantes escritores brasileiros contemporâneos.
Com a celebração de 25 anos de Capão Pecado e os novos planos anunciados, Ferréz reafirma seu papel de protagonista na literatura e na cultura periférica, projetando não apenas sua própria carreira, mas também o futuro das quebradas no cenário nacional e internacional.









