Ilustração infantil avança no Brasil com 1ª pós e formatura histórica
Evento em São Paulo reuniu formandos, livros autorais e celebração da arte de ilustrar para a infância


A valorização da ilustração infantil como área de estudo, expressão artística e carreira autoral acaba de ganhar um novo capítulo no Brasil. Nos dias 19 e 20 de julho, São Paulo sediou dois marcos inéditos no setor: o Laboratório Illustrare, maior encontro de ilustradores infantis do país, e a formatura da primeira turma da primeira pós-graduação em Ilustração Infantil do Brasil. As iniciativas, conduzidas pela Faculdade Faciência – Polo Ocellaris com coordenação de Guilherme Bevilaqua, o Professor Laqua, reafirmam o potencial dessa linguagem na formação de leitores e no desenvolvimento sensível de crianças.
Enquanto o dia 19 foi reservado à vivência artística prática, com atividades voltadas ao processo criativo, desenho de observação, aquarela e conexões olho no olho, o dia 20 celebrou a realização de um sonho coletivo: a primeira colação de grau de ilustradores infantis formados oficialmente em uma pós-graduação no país. Cada aluno apresentou um livro autoral ilustrado, produzido ao longo do curso como trabalho de conclusão e símbolo da própria trajetória criativa.


A pedagoga Andrea, uma das alunas formadas, conta que a pós representou um ponto de virada pessoal e profissional. “Eu já tenho outra pós em educação infantil, mas foi só nessa que me senti uma profissional completa. Hoje, com três livros ilustrados, sendo um já publicado, eu já paguei a pós com o que ganhei com minha arte. E sei que vem muito mais por aí. Me vejo, enfim, como uma artista de livros infantis”, relatou, emocionada.

Com mais de 27 anos de experiência, Guilherme Bevilaqua é referência nacional no campo da ilustração e coordena não apenas a pós-graduação como também iniciativas como o Atelier Laqua Parla. A proposta da formação, segundo ele, vai além da técnica: “Ilustrar não é só fazer um desenho bonito. É dar vida, emoção e identidade às imagens. É tocar a infância de alguém com imagem. E esses alunos entenderam isso profundamente.”

Um dos momentos mais emocionantes da cerimônia foi o discurso do orador da turma, Luis, de 72 anos, que arrancou aplausos e lágrimas ao compartilhar sua trajetória. “Estar aqui vivendo tudo isso é uma conquista que eu jamais imaginei. Agradeço profundamente aos nossos professores, que nos guiaram com tanta generosidade, e aos meus colegas, que se tornaram verdadeiros parceiros de jornada. A pós me mostrou que nunca é tarde para recomeçar e viver daquilo que nos move”, declarou Luis, emocionado.

O evento também reforça um movimento contra a pasteurização das artes visuais em tempos de imagens artificiais e referências genéricas. Ao reunir artistas de diferentes regiões do país, o Laboratório e a formatura reforçaram a criação de uma comunidade autoral e viva, com trocas genuínas, apoio mútuo e propósito compartilhado. “Quem desenha de verdade sente falta do papel, do grafite, da tinta, do contato com outras mãos criativas. Esses dois dias mostraram que ilustrar é, acima de tudo, uma linguagem afetiva e transformadora”, destacou Laqua.









