Milton Nascimento se despede de Lô Borges: “O Brasil perde um dos seus artistas mais geniais”

O Brasil amanheceu mais silencioso nesta segunda-feira (03/11). O cantor e compositor Lô Borges, um dos pilares da música popular brasileira e cofundador do lendário Clube da Esquina, morreu aos 73 anos, em Belo Horizonte, após complicações decorrentes de uma intoxicação medicamentosa. A notícia abalou fãs e artistas, entre eles Milton Nascimento, seu grande amigo e parceiro musical, que prestou uma emocionante homenagem nas redes sociais.
Em uma publicação acompanhada por fotos do passado, Milton escreveu:
“Lô Borges foi — e sempre será — uma das pessoas mais importantes da minha vida e da minha obra. Foram décadas de amizade, cumplicidade e arte, que resultaram em um dos álbuns mais reconhecidos da música no mundo: o Clube da Esquina. Lô nos deixa um vazio e uma saudade imensa. O Brasil perde um de seus artistas mais geniais, inventivos e únicos. Que o amor e a força alcancem toda a família Borges, especialmente o Luca. Descanse em paz, meu irmão.”
A relação entre os dois nasceu nos anos 1960, em Belo Horizonte, quando Milton, recém-chegado à cidade, foi acolhido pela família Borges. O encontro transformou-se em uma parceria eterna. Juntos, criaram um som que misturava MPB, rock, jazz e poesia, dando origem ao movimento que mudaria para sempre o rumo da música brasileira.
Em 1972, lançaram o icônico álbum “Clube da Esquina”, um duplo que virou referência mundial e símbolo de uma geração. Faixas como “O Trem Azul”, “Um Girassol da Cor do Seu Cabelo” e “Paisagem da Janela” continuam ecoando como hinos da sensibilidade mineira e da liberdade artística.
Lô Borges deixa 53 anos de carreira, dezenas de álbuns e uma trajetória marcada pela autenticidade e pelo lirismo. Nos últimos anos, manteve uma produção fértil, lançando novos trabalhos quase anualmente. Seu disco mais recente, “Céu de Giz” (2025), feito em parceria com Zeca Baleiro, foi lançado em agosto e mostrou que seu espírito criativo seguia intacto.
Entre saudades e canções, fica o legado de um artista que transformou esquinas em poesia e amizade em arte. Como escreveu Milton em uma de suas canções eternas:
“Nada será como antes.”








