
Quantos favores você já fez na vida? Quantas vezes ajudou pessoas que você nem conhecia a troco de nada? Se com pessoas desconhecidas este simples ato nos traz uma sensação gostosa de poder contribuir, imagina quando conseguimos prestar favores a amigos, a quem amamos? Essa sensação vem, ou ao menos deveria vir, em dose dupla, não acha?
Essa é uma das minhas linguagens do amor. Eu gosto de cuidar de quem amo, de ser útil às pessoas a quem nutro um carinho especial. Muitas vezes me esqueço do que fiz e, vira e mexe, recebo agradecimentos de pessoas que eu nem imaginava por algo que eu fiz e nem me lembrava mais.
Masssssss, como tudo tem um “mas”, “porém”, “entretanto”, “contudo”, “todavia”, nem todo mundo é assim. Recentemente, uma amiga me lembrou de favores que fez por mim e deixou claro que agora é a minha vez de retribuir. Isso me fez refletir sobre a natureza das nossas amizades.
Pra mim, amizade verdadeira é construída sobre respeito, apoio mútuo e generosidade sem cobranças. É troca, acolhimento, leveza, é um espaço onde podemos ser nós mesmas, sem máscaras, sem medo de sermos julgadas.
A pressão de ter que retribuir um favor me parece um peso desnecessário. Quando os laços se transformam em um jogo de cobranças, a relação perde a leveza que deveria existir. Quando começamos a contabilizar os favores, a essência da relação se transforma e já não parece mais uma troca leve e amigável, mas uma balança pesada de obrigações. Amizade é isso?
Pra mim, não. Essa situação que vivi recentemente me fez reconsiderar as pessoas que escolho ter ao meu redor. É fundamental cercar-se de pessoas que entendem a verdadeira essência da amizade, onde o amor e a generosidade são incondicionais. Pessoas que, passe o tempo que for, nem se lembrarão do “favor” que te fizeram, porque simplesmente fizeram de forma genuína, sem esperar nada em troca.
Quando uma relação se torna uma balança de débitos e créditos, é hora de reavaliar o que estamos cultivando. Não estou dizendo que não devemos ajudar os outros, ao contrário, eu amo ajudar. Mas entendo que essa ajuda deve vir do coração.
Nessa jornada chamada “vida” é essencial que encontremos pessoas que compartilhem esse mesmo entendimento sobre relacionamentos. No final das contas, essas experiências também nos ensinam a cuidar do nosso próprio espaço emocional. Se uma amizade começa a te fazer se sentir pesada ou que te impõe obrigações, é um sinal claro de que algo não está bem.
E se isso foi constatado, é preciso ter coragem de se afastar porque, mais do que somar, ela só vai trazer desgaste. Meu desejo, é que estejamos atentas e que tenhamos ao nosso lado relações que nos façam sentir bem e não culpadas.
Essa reflexão não é apenas sobre uma amizade específica, mas sobre como somos influenciados pelas pessoas ao nosso redor. É um lembrete para cuidarmos das nossas relações e nos cercarmos de quem genuinamente se preocupa conosco. Hoje, eu escolho valorizar as amizades que trazem leveza e alegria! E você?