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Engenharia de proteção contra descargas atmosféricas: projeto de 1,2 milhão de m² em complexo zoológico estabelece novos parâmetros técnicos no Brasil

Com R$ 3,48 milhões em investimento e 49 projetos executivos individuais, o engenheiro Moacir Oliveira Marques Junior desenvolveu soluções inéditas para proteção contra raios em ambiente de alta complexidade ambiental e operacional.

A proteção contra descargas atmosféricas em grandes áreas naturais representa um dos desafios mais complexos da engenharia elétrica brasileira. A combinação entre extensão territorial elevada, heterogeneidade do solo, diversidade de tipologias construtivas e a presença simultânea de fauna sensível, visitantes e infraestrutura crítica exige soluções que vão muito além da aplicação direta da ABNT NBR 5419/2015.

Foi nesse cenário que o engenheiro Moacir Oliveira Marques Junior, diretor executivo da Momtec Engenharia e Serviços LTDA, conduziu entre novembro de 2022 e abril de 2023 um dos projetos de SPDA de maior complexidade técnica já executados no Brasil, protegendo uma área de aproximadamente 1,2 milhão de metros quadrados em um complexo zoológico de relevância nacional.

O problema técnico: por que projetos convencionais não se aplicavam

A norma ABNT NBR 5419/2015 estabelece diretrizes para proteção contra descargas atmosféricas, mas sua aplicação direta pressupõe condições relativamente homogêneas — típicas de edificações industriais ou comerciais convencionais. O complexo zoológico apresentava um cenário radicalmente diferente:

• Solo heterogêneo em grande extensão: áreas de vegetação densa, solos aterrados, regiões com lençol freático superficial, zonas rochosas e terrenos com diferentes composições geotécnicas em uma mesma malha de proteção;
• 85 edificações com tipologias distintas: recintos de animais, hospitais veterinários, subestações elétricas, biodigestores, restaurantes, sanitários públicos, áreas administrativas e estruturas de visitação;
• Ambiente operacional ininterrupto: o complexo recebe aproximadamente 1,5 milhão de visitantes por ano e abriga programas permanentes de conservação de espécies ameaçadas de extinção, o que impedia qualquer interrupção das atividades durante a execução da obra;
• Ausência prévia de sistema compatível com a norma vigente: as instalações existentes não atendiam aos requisitos da NBR 5419/2015, o que representava risco técnico e legal para a operação.

Nenhum desses desafios, isoladamente, seria considerado incomum. O que tornou o projeto tecnicamente singular foi a necessidade de resolvê-los simultaneamente, em escala de 1,2 milhão de m², sem comprometer a operação do complexo.

Inovações técnicas desenvolvidas no projeto

1. Metodologia de mapeamento geotécnico para solos heterogêneos

A resistência da malha de aterramento é determinante para a eficiência de qualquer SPDA. Em solos homogêneos, o dimensionamento segue procedimentos padronizados. No complexo zoológico, a variação geotécnica em curta extensão tornava inviável a aplicação de soluções uniformes.

Moacir Oliveira Marques Junior desenvolveu uma metodologia de caracterização do solo por zonas técnicas, na qual cada setor do complexo recebeu tratamento específico de aterramento conforme suas propriedades geotécnicas. O resultado foi a obtenção de resistência inferior a 10 ohms em toda a malha, conforme exigido pela norma — um índice que, em ambientes com essa extensão e heterogeneidade, não é alcançado com soluções convencionais.

2. Sistema de 49 projetos executivos individuais integrados

Cada uma das 85 edificações apresentava características construtivas, funções operacionais e requisitos de proteção distintos. Em vez de adotar um projeto-padrão adaptado, Moacir coordenou a elaboração de 49 projetos executivos individualizados, cada um dimensionado para as especificidades de sua estrutura, todos integrados em um sistema unificado de proteção.

Essa abordagem permitiu que recintos de animais sensíveis, subestações elétricas, hospitais veterinários e áreas de grande circulação pública recebessem soluções tecnicamente adequadas às suas respectivas vulnerabilidades — algo que projetos padronizados não conseguem oferecer.

3. Execução em ambiente operacional com fauna sensível

A instalação de aproximadamente 6.500 metros lineares de cabos de captação e descida e 420 hastes de aterramento dentro de um complexo em pleno funcionamento exigiu o desenvolvimento de protocolos operacionais específicos:

• Cronogramas segmentados por área, compatibilizados com a rotina veterinária e os ciclos de manejo dos animais;
• Estratégias de instalação não invasivas em recintos com espécies sensíveis a ruído e interferência;
• Monitoramento contínuo das equipes em campo para garantir zero impacto sobre a fauna e os visitantes.

O projeto foi concluído sem registro de incidentes — resultado que, em uma obra dessa magnitude e em um ambiente com essas restrições, depende diretamente de planejamento operacional rigoroso.

4. Gerenciamento de riscos personalizado para infraestrutura com biodiversidade

O plano de gerenciamento de riscos desenvolvido para o projeto não se limitou aos critérios técnicos convencionais de proteção contra raios. Incorporou variáveis ambientais, operacionais e institucionais específicas do complexo, incluindo a proteção de espécies ameaçadas de extinção, a continuidade dos programas de conservação e a preservação do patrimônio científico acumulado nas coleções biológicas.

Escala e conformidade técnica do projeto entregue

Indicador

Resultado

Área total protegida

~1.200.000 m²

Edificações contempladas

85

Cabos de captação e descida instalados

~6.500 metros lineares

Hastes de aterramento implantadas

420

Projetos executivos individuais elaborados

49

Resistência da malha de aterramento

< 10 ohms (conforme NBR 5419/2015)

Investimento total

R$ 3.480.000,00

Prazo de execução

Novembro/2022 a Abril/2023

Incidentes registrados

Zero

A documentação técnica entregue incluiu levantamentos, ARTs, cronogramas, ensaios elétricos, plano de gerenciamento de riscos e documentação As-Builtcompleta — todo o conjunto exigido para certificação do sistema perante os órgãos competentes.

Atuação integral em todas as fases do empreendimento

Moacir Oliveira Marques Junior conduziu o projeto em todas as suas etapas, assumindo responsabilidades que normalmente são distribuídas entre diferentes profissionais e empresas:

• Diagnóstico das instalações existentes;
• Elaboração dos projetos executivos;
• Definição das soluções técnicas;
• Gerenciamento dos riscos;
• Coordenação de equipes multidisciplinares;
• Gestão de fornecedores;
• Fiscalização da qualidade;
• Acompanhamento da execução;
• Validação técnica dos sistemas instalados;
• Certificação final da obra.

Essa condução integral — do diagnóstico à certificação — em um projeto dessa escala e complexidade, é uma característica que distingue profissionais com domínio técnico amplo daqueles que atuam em etapas isoladas da cadeia de engenharia.

Por que este projeto é uma referência técnica

Projetos de SPDA são executados rotineiramente no Brasil. O que diferencia este empreendimento é a convergência de fatores que raramente se apresentam juntos:

1. Extensão territorial de 1,2 milhão de m² — muito acima da escala típica de projetos de proteção contra raios;
2. Heterogeneidade geotécnica e construtiva que exigiu soluções customizadas em vez de padronizadas;
3. Ambiente operacional com restrições ambientais e de segurança incompatíveis com metodologias convencionais de execução;
4. Conformidade plena com a NBR 5419/2015 em condições que tornam essa conformidade tecnicamente desafiadora;
5. Ausência de incidentes durante toda a execução, em um ambiente com visitantes, fauna sensível e infraestrutura crítica.

Cada um desses fatores, isoladamente, já exigiria competência técnica elevada. A capacidade de resolvê-los simultaneamente, em um único empreendimento, é o que caracteriza a contribuição de um profissional com domínio excepcional de sua área.

O legado técnico

O Sistema de Proteção Contra Descargas Atmosféricas implantado no complexo zoológico permanece em operação, protegendo diariamente visitantes, colaboradores, pesquisadores, equipes veterinárias, espécies ameaçadas de extinção e o patrimônio científico e ambiental do empreendimento.

A atuação de Moacir Oliveira Marques Junior neste projeto demonstra que a engenharia de proteção contra descargas atmosféricas, quando conduzida com rigor técnico e capacidade de gestão, pode resolver problemas que soluções padronizadas não alcançam — especialmente em ambientes onde a margem para erro é praticamente inexistente.

Thiago Michelasi

Thiago Michelasi é jornalista, assessor de imprensa e apresentador de TV. Atualmente é CEO do Tô Na Fama!, portal parceiro de conteúdo do IG e apresentador do Programa Tô Na Fama! em afiliadas da Rede TV!. Além disso é colunista no Cartão de Visita do R7, no IG Gente, no Meia Hora e de diversos outros portais além de já ter sido colunista também no Observatório dos Famosos do UOL. Siga Thiago Michelasi no Instagram: instagram.com/thiagomichelasi
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