Ciência aplicada às massas: influenciadora desenvolve técnica que eleva o padrão da confeitaria
Nique Silvério cria protocolo baseado em biologia e precisão para garantir estabilidade e desempenho nas receitas

O setor de confeitaria no Brasil vive um momento de evolução técnica, deixando para trás práticas baseadas apenas na intuição e avançando para métodos estruturados na ciência dos alimentos. Nesse cenário, ganha destaque a chef e influenciadora Nique Silvério, responsável pela criação da chamada Técnica do Ponto de Bico Cremoso, desenvolvida em 2020.
Mais do que uma alternativa aos métodos tradicionais, a proposta se apresenta como um protocolo técnico capaz de garantir estabilidade estrutural das massas, reduzindo falhas comuns e aumentando a previsibilidade dos resultados nas cozinhas profissionais.
A técnica parte da análise da interação entre os ingredientes, com foco especial no comportamento das proteínas do ovo, elemento central na formação da estrutura das massas. Segundo Nique, um dos principais erros no preparo está na negligência dos aspectos biológicos dos insumos.
“No processo de confeitaria, o ovo exerce papel fundamental. Quando essa base não é respeitada, toda a estrutura da receita pode ser comprometida”, explica.
Ao aplicar o chamado Ponto de Bico Cremoso, o confeiteiro passa a trabalhar com parâmetros mais controlados, deixando de depender exclusivamente da percepção visual. O resultado é uma massa com maior estabilidade, melhor aeração e menor risco de colapso após o forneamento.
Com a disseminação da técnica, cresce também o conceito do “confeiteiro-pesquisador”, profissional que alia prática e conhecimento científico para aprimorar processos. Hoje, o método já soma centenas de alunos no Brasil e no exterior, reforçando o potencial do país na criação de soluções inovadoras dentro da confeitaria.
Conheça a trajetória de Nique Silvério
Natural do interior de São Paulo, Nique Silvério teve seu primeiro contato com a confeitaria ainda na infância, acompanhando a rotina da mãe, que atuava como boleira na década de 1990. A vivência despertou não apenas o interesse pela área, mas também uma visão mais analítica sobre os processos envolvidos na produção.
Seguindo esse caminho, a chef passou a se dedicar ao estudo da chamada “engenharia das massas”, buscando solucionar problemas recorrentes enfrentados por profissionais, como a perda de estrutura e o afundamento de bolos após o preparo.
A divulgação do método, no entanto, não aconteceu sem resistência. Ao apresentar a técnica nas redes sociais, Nique enfrentou críticas de parte do mercado tradicional, que inicialmente questionou a validade da proposta.
Um dos episódios mais comentados envolveu uma profissional com formação em escola internacional de gastronomia, que chegou a ironizar o método. Meses depois, após testar a técnica na prática, a mesma profissional retornou publicamente para reconhecer a eficácia da abordagem.
O caso acabou reforçando a credibilidade do método e ampliando sua repercussão, consolidando Nique Silvério como um dos nomes em ascensão na nova geração da confeitaria brasileira.










