Coluna Rodrigo Teixeira

CNE define normas para IA na educação e prioriza decisão humana

Inteligência artificial como suporte pedagógico: o novo cenário nas escolas e universidades

O Conselho Nacional de Educação (CNE) aprovou, nesta segunda-feira (11), a primeira regulamentação oficial para o uso da inteligência artificial no ensino brasileiro. O texto busca um equilíbrio entre o avanço tecnológico e o compromisso ético, reforçando que, embora a máquina seja um “coadjuvante de luxo”, a centralidade do processo educativo deve permanecer com o ser humano.

A nova diretriz estabelece que o papel do professor é insubstituível como mediador e exige supervisão humana obrigatória para qualquer conteúdo gerado por algoritmos. Para o ensino superior, a norma foca em preparar o estudante para um mercado de trabalho que já opera de forma híbrida, integrando agentes autônomos em decisões estratégicas.

Para o especialista em tecnologia e CEO da eximia.co, Elemar Júnior, a regulamentação é fundamental para definir quem é o autor do ato intelectual. O consultor ressalta que a tecnologia não pode ser responsabilizada por falhas. “Um profissional não pode utilizar a inteligência artificial e depois culpá-la por um eventual erro. Como a responsabilidade é sempre humana, a decisão final também tem que ser dele”, afirma Elemar Júnior.
O especialista destaca que existe uma barreira que a tecnologia ainda não superou: o conhecimento tácito.

Segundo Elemar Júnior, enquanto a IA é excelente para processar volumes massivos de dados, ela carece da percepção que só a vivência proporciona. “​​A IA ajuda a acelerar muitas atividades associadas ao aprendizado. Mas, é importante não perder de vista que o objetivo é efetividade e não velocidade. Nada substitui a experiência. O ser humano tem uma percepção que é tácita e não explícita. Ele consegue tomar decisões e perceber problemas com dados que ainda nem tem em mãos, enquanto a IA faz análises apenas em cima do que já possui”, explica o executivo.

Do letramento digital à gestão de agentes

A nova regra do CNE visa garantir que a IA seja usada para fortalecer a autonomia intelectual e promover a equidade, evitando que a tecnologia amplie o abismo entre os alunos. Na visão de Elemar Júnior, as organizações modernas agora possuem um “quarto vértice” composto pelos agentes digitais, que executam tarefas e interagem quase como membros de um time.

Com décadas de experiência em consultoria para gigantes como Nubank e B3, Elemar Júnior reforça que o grande desafio da educação agora é ensinar a gestão dessa nova estrutura. O foco deve sair da ferramenta técnica e entrar na estratégia de como esses novos agentes podem potencializar o talento criativo que as pessoas já possuem. “Hoje as empresas têm um departamento de gestão de pessoas. A gente vai ter um departamento de gestão de agentes, com toda certeza”, conclui o especialista.

Sobre Elemar Júnior

Com uma trajetória que iniciou na programação aos 13 anos, Elemar Júnior acumula mais de três décadas de experiência transformando complexidade tecnológica em resultados de negócio. Protagonista na digitalização da indústria moveleira e consultor estratégico para gigantes como Banco do Brasil, Nubank, B3 (Bolsa de Valores), Icatu e Stone, o especialista fundou a eximia.co em 2016 para levar seu pragmatismo a empresas de diversos setores. Atualmente, consolidado como mentor de grandes executivos e voz ativa na comunidade técnica internacional desde 2008, Elemar Júnior utiliza frameworks práticos para converter teorias densas em execução de alto impacto, moldando o futuro da arquitetura de software e da gestão estratégica no Brasil.

Rodrigo Teixeira

Repórter com mais de 15 anos de carreira. Formado em Jornalismo e Direito pela Estácio de Sá e pós-graduado em Fiscalização, Controle e Orçamento Público e Metodologia do Ensino Superior, ambas pela Escola do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro (Elerj). Com experiência em diversos segmentos do jornalismo, entre eles, no meio corporativo, artístico, e no poder público. Com passagem pelas redações dos maiores portais de internet do país, como Terra, UOL e R7. Inclusive já produziu conteúdo para o portal iG. Experiência de gestão, redação e projetos especiais para o on-line dos Jornais O Dia e Meia Hora. Web Repórter da Rede TV, na sucursal do Rio de Janeiro e correspondente do programa "Tô na Fama", da Rede TV do Tocantins. E correspondente no Rio de Janeiro do programa Tô no SBT, do SBT Barra do Tocantis.
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