Das mãos das paneleiras nasce a alma da moqueca capixaba em Goiabeiras
Tradição passada entre gerações em Vitória sustenta famílias e preserva um dos maiores símbolos culturais do Espírito Santo

Em Goiabeiras, bairro tradicional de Vitória, no Espírito Santo, o barro ganha forma, história e identidade pelas mãos habilidosas das paneleiras, artesãs que mantêm viva uma tradição centenária e indispensável à autêntica moqueca capixaba. Mais do que utensílio, a panela de barro é patrimônio cultural, sustento familiar e símbolo da memória capixaba.
Entre essas mulheres está Rosiné Alvarenga de Siqueira, 62 anos, que há mais de dez anos dedica seu trabalho à arte herdada da família. Segunda geração de paneleiras, ela carrega no ofício a força do legado materno. “Eu peguei essa geração a partir da minha mãe, sou de segunda geração em casa. É um legado muito bonito, representa muito não só para mim, para todo o Brasil”, afirma.
A produção artesanal também representa fonte de renda, embora as vendas variem conforme a época do ano. O movimento aumenta no verão, impulsionado principalmente pelo turismo e pela procura pela tradicional panela usada no preparo da moqueca. “Verão, por exemplo, dezembro, janeiro e fevereiro, vende mais. Antigamente faltava panela, todos vendiam. Hoje não está como antes”, relata.
Mesmo diante das oscilações nas vendas, Rosiné segue firme, movida pela esperança e pelo amor ao que faz. “A gente não perde a esperança nunca. É um dia após o outro”, destaca.
Para a artesã, preservar a tradição é também um ato de resistência cultural. “A gente tem que fazer o que gosta, com amor. Não podemos deixar essa cultura cair”, reforça.
Em cada peça moldada em Goiabeiras está a essência do Espírito Santo. Das mãos das paneleiras nasce não apenas a panela de barro, mas a alma da moqueca capixaba, prato que atravessa gerações e traduz a identidade de um povo.









