De dentro de casa para o mundo
A internet transforma donas de casa em influenciadoras de marcas globais

A Creator Economy (economia dos criadores de conteúdo) deixou de ser exclusividade de celebridades com milhões de seguidores. Hoje, ela opera transformações reais na base da pirâmide social brasileira. Com mais de 2,1 milhões de influenciadores digitais no país (dados da Influency.me¹), a Home Conteúdo busca dar visibilidade a uma vertente de nicho para o mercado publicitário: as donas de casa, que transformaram a rotina do lar em uma profissão na internet.
Esse fenômeno é ainda mais impulsionado pela recente chamada “uberização” da influência. Impulsionados pelos algoritmos de vídeos curtos (como TikTok e Reels), milhares de micro e nano criadores — os chamados UGC (Conteúdo Gerado pelo Usuário²) — conseguem mesmo sem viralizar, atrair grandes marcas, a partir de
uma nova lógica no marketing.
De olho nesse ecossistema, a startup Home Conteúdo, fundada em 2021, especializou-se em conectar grandes marcas a esse público de influenciadores. Hoje, a empresa conta com mais de 1 mil influenciadoras do lar cadastradas e já desenvolveu campanhas para gigantes como Nestlé, P&G, Carrefour, Quaker e Urbano Alimentos. “Iniciamos a empresa após entender que, na internet, é preciso segmentar. Existia
um ecossistema construído por mulheres que postavam suas rotinas de cuidados com a casa, filhos e família. Elas formaram uma rede de apoio e amizade que, até então, não estava sendo vista pelo mercado publicitário”, explica Sérgio Jordão, sócio da Home Conteúdo.
O perfil de quem cuida do lar e dita tendências
O recorte cultural desse nicho é expressivo: reflete um cenário onde a mulher brasileira trabalha 82% a mais do que o homem nas tarefas domésticas (dados do IBGE³), e onde 92% da audiência desses canais é feminina. Os vídeos, muitas vezes em formato de diários de rotina, funcionam como uma rede de companhia para mulheres que realizam o trabalho doméstico de forma solitária.
Além da mudança de formato, o consumo também migrou de tela⁴. Se em 2019 apenas 5% desses vídeos eram vistos na televisão, hoje o consumo via Smart TV chega a 60% em algumas campanhas, com preferência por conteúdos longos no YouTube.
“Não é possível arrumar a casa segurando o celular para ver vídeos curtos. A companhia de um vídeo longo, imersivo e repleto de experiências cotidianas tornou-se altamente relevante. Essa audiência chega a assistir até 7 vídeos por dia dessas influenciadoras no YouTube”, destaca Daniel Kamitani, também sócio da empresa.
Em um mercado dinâmico que agora abraça o TikTok Shop e as vendas por afiliados, o papel da Home Conteúdo tem sido o de traduzir essa linguagem espontânea e humana para o dialeto corporativo das grandes marcas. “Somos um parceiro para marcas que querem aprender a linguagem real falada pelos seus consumidores na internet”, finaliza Jordão.









