Do invisível ao excesso de diagnósticos: o que mudou no lipedema, segundo Dr. Danilo Madanês
Avanços nas pesquisas de Lipedema trouxeram mais informação, mas médico nutrólogo alerta para o risco de diagnósticos errados e tratamentos inadequados.

O cenário do lipedema no Brasil passou por uma transformação radical nos últimos anos. Se antes a condição era ignorada por grande parte da comunidade médica, hoje o país já conta com diretrizes específicas de tratamento. Com o ganho de espaço nos consultórios e redes sociais, a conscientização sobre a doença crônica trouxe avanços importantes, mas também novos desafios.
“O diagnóstico é principalmente clínico, exames ajudam definir tratamento, mas o mais importante é a avaliação médica olhando o padrão da gordura, sintomas e história da paciente”, explica o Dr. Danilo Madanês, médico que atua na área de Nutrologia e Medicina esportiva, endocrinologia e hormonologia há mais de 7 anos.
O Lipedema é caracterizado pelo acúmulo anormal de gordura em regiões específicas do corpo, principalmente nas pernas, quadris e, em alguns casos, braços. Afetando quase exclusivamente mulheres, essa doença crônica causar dor, sensibilidade ao toque e desproporção corporal. A condição vem ganhando muita notoriedade.
A principal mudança veio com a padronização dos critérios diagnósticos no Brasil. “Antes, o lipedema era invisível. Atualmente tivemos avanços científicos relevantes, como a publicação do primeiro consenso brasileiro de lipedema, que ajudou a padronizar critérios diagnósticos e dar mais segurança ao médico, utilizando a clínica, laboratórios e exames de imagem”, explica Madanês.
Apesar disso, o especialista faz um alerta sobre o efeito colateral da popularização do tema que, antes não era diagnosticado, mas hoje é “diagnosticado até demais”. “Banalizar o diagnóstico pode atrapalhar tanto quanto ignorar a doença, nem toda perna grossa ou excesso de gordura é lipedema, é preciso critérios clínicos claros e avaliação médica”, esclarece o médico.
Quando o diagnóstico é confirmado, o tratamento exige uma mudança de abordagem e a expectativa de uma “cura” precisa ser ajustada. “(Lipedema) Não tem cura, é uma doença crônica, mas tem controle e quando bem tratado, o paciente melhora muito, precisa de medicamento, dieta e atividade física”, pontua.
Entre os pilares do tratamento, que abrangem alimentação, exercício e terapias físicas, Dr. Danilo Madanês destaca a importância da constância e do uso da estratégia correta. “Exatamente, sem isso é praticamente impossível tratar, uma boa alimentação com foco anti-inflamatória, atividade física regular e terapias físicas (meias compressivas, drenagens linfáticas)”, afirma.
Outro ponto crítico está nas dietas restritivas, muitas vezes adotadas por conta própria pelas pacientes. “Dietas muito restritivas não resolvem e podem piorar, o ideal é uma alimentação equilibrada, com foco anti-inflamatório e sustentável, porque o efeito sanfona de emagrecer e ganhar peso pode piorar ainda mais, e restringir muito. Perder musculo pode piorar ainda mais o quadro”, alerta.
Sobre o uso de medicamentos modernos, como as canetas emgracedoras, ele ressalta que podem ajudar, mas não são solução isolada. “No caso a Tirzepartida (Mounjaro) ajuda perdendo a gordura e aliviando os sintomas, mas o tecido adiposo do lipedema é diferente e costuma ser resistente, podemos associar e não de forma isolada somente”, esclarece.
Quando o assunto é tratamento de lipedema, a visão moderna defendida por Madanês descarta soluções milagrosas. O foco migrou para a gestão de uma doença crônica que exige controle contínuo, envolvendo desde o suporte medicamentoso até intervenções no estilo de vida, sempre com o objetivo de reduzir a inflamação e devolver a qualidade de vida à mulher.









