Saúde

Dr. Eduardo Costa critica debate sobre PMMA e diz que proibição pode ampliar riscos à saúde pública

Pesquisador com mais de duas décadas de atuação no tema afirma que o problema não está no material, mas na má indicação e na falta de controle técnico. Para ele, banir o produto pode empurrar pacientes para a clandestinidade.

O nome do Polimetilmetacrilato voltou ao centro de uma disputa que mistura ciência, política e pressão social. Em Brasília, projetos discutem restringir ou até proibir o PMMA. Para o médico e pesquisador Dr. Eduardo Costa, porém, o foco da discussão está deslocado.

“O PMMA não mata ninguém. O que mata é a imperícia, a imprudência e a negligência de quem aplica sem preparo”, afirma.

Registrado na Anvisa há mais de 20 anos e classificado como produto de grau 4 de risco, justamente por ser permanente e exigir técnica rigorosa, o PMMA é um polímero desenvolvido na década de 1940. Inicialmente usado como cimento ósseo, passou a ser empregado em reconstruções de tecidos moles. Trata-se de microesferas sólidas, lisas, com cerca de 40 micrômetros, suspensas em gel estéril pronto para uso.

Diferentemente de preenchedores absorvíveis, o PMMA não desaparece com o tempo. Ele estimula a produção de colágeno ao redor das partículas e se integra ao tecido de forma estável. Essa característica, segundo Costa, exige planejamento estrutural, indicação criteriosa e domínio anatômico. “Não é material para improviso.”

O médico afirma ter mais de 15 mil prontuários documentados e sustenta que o índice de reações adversas em pacientes corretamente avaliados gira em torno de 1%. Para ele, a escalada de casos graves nos últimos anos está ligada à banalização do uso, à diluição indevida do produto e à aplicação por profissionais sem capacitação adequada.

“Ele não foi feito para ser diluído. Já vem pronto em seringa estéril”, diz.

Complicações como septicemia e embolias vasculares, segundo o pesquisador, decorrem de falhas técnicas e de assepsia, e não de uma suposta toxicidade do polímero. Ele também critica comparações simplificadas com o ácido hialurônico. “Em preenchimentos, a necrose costuma ser consequência de injeção intravascular inadvertida, não da substância em si.”

Embora o debate público associe o PMMA quase exclusivamente ao aumento de glúteos, Costa ressalta que o material tem aplicações consolidadas em reconstruções faciais, lipodistrofia em pacientes com HIV, atrofias musculares e sequelas cirúrgicas. O produto é utilizado inclusive no SUS, sobretudo em ambulatórios de infectologia.

É nesse ponto que ele enxerga o maior risco de uma eventual proibição. “As minorias que dependem do PMMA para correção de deformidades vão ficar desassistidas?”, questiona.

Para o médico, o banimento não elimina o problema, apenas o desloca. Ele cita precedentes históricos em que restrições estimularam o mercado clandestino, com uso de silicone industrial e óleos minerais aplicados ilegalmente.

A alternativa defendida por Costa passa por controle mais rígido da venda, exigência de capacitação comprovada, protocolos oficiais e acompanhamento técnico obrigatório. Ele participou recentemente de audiência pública na Anvisa para defender esse modelo regulatório.

No centro da controvérsia, o PMMA tornou-se símbolo de uma questão maior: como equilibrar acesso a tecnologias médicas consolidadas com fiscalização eficaz. Para o pesquisador, a pergunta que deveria orientar o Congresso é direta. Proibir é mais fácil do que qualificar e fiscalizar. Mas será que é a melhor solução para quem precisa do tratamento.

Produto é utilizado em reconstruções e reparações e uma proibição do produto poderia deixar milhares de pacientes desassistidos.

Thiago Michelasi

Thiago Michelasi é jornalista, assessor de imprensa e apresentador de TV. Atualmente é CEO do Tô Na Fama!, portal parceiro de conteúdo do IG e apresentador do Programa Tô Na Fama! em afiliadas da Rede TV!. Além disso é colunista no Cartão de Visita do R7, no IG Gente, no Meia Hora e de diversos outros portais além de já ter sido colunista também no Observatório dos Famosos do UOL. Siga Thiago Michelasi no Instagram: instagram.com/thiagomichelasi
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