Na Fama com Fabiano Moraes

Dr. Keylon Lucarelli explica os riscos e benefícios da exclusão total do glúten e do açúcar na dieta

Entenda se o glúten é o vilão ou injustiçado da alimentação moderna?

Nos últimos anos, cortar o glúten virou moda. Celebridades e influenciadores passaram a defender a exclusão dessa proteína da dieta como se fosse sinônimo de emagrecimento, saúde e bem-estar. Mas será que retirar o glúten de forma radical é realmente necessário para a maioria das pessoas?

O nutrólogo Keylon Lucarelli, especialista em saúde metabólica, explica que a ciência conta uma história diferente da tendência popular. O glúten é uma proteína presente no trigo, na cevada e no centeio, responsável por dar elasticidade ao pão e consistência às massas. Ele só se torna um problema real em casos específicos, como na doença celíaca, uma condição autoimune em que o consumo de glúten desencadeia inflamações graves no intestino, exigindo exclusão total e permanente. Outro grupo que pode se beneficiar da redução é o de pessoas com sensibilidade ao glúten não celíaca, que apresentam sintomas como gases, distensão abdominal e fadiga.

Entretanto, para quem possui um intestino saudável, não há evidências científicas que justifiquem o corte total do glúten. Pesquisas mostram que a melhora relatada por quem retira essa proteína, muitas vezes, está mais associada à diminuição do consumo de alimentos ultraprocessados — como biscoitos, bolos e massas industrializadas — do que ao glúten em si. “Quando uma pessoa passa a trocar produtos industrializados por alimentos mais naturais e integrais, ela naturalmente se sente melhor. Mas isso não significa que o glúten seja o verdadeiro vilão”, ressalta o Dr. Keylon.

Outro ponto importante é que dietas restritivas, sem orientação adequada, podem trazer riscos. Cortar grupos alimentares sem necessidade pode gerar deficiências nutricionais, provocar ansiedade alimentar e até favorecer o efeito rebote, quando o peso perdido é recuperado rapidamente. O especialista reforça que o foco deve estar na qualidade da alimentação: dar preferência a alimentos integrais, ricos em fibras e nutrientes, reduzir açúcares adicionados, evitar ultraprocessados e manter frutas, legumes e proteínas de boa qualidade como base da dieta.

Para o Dr. Keylon, a exclusão total do glúten só deve ser considerada mediante avaliação clínica e exames que confirmem intolerância ou doença celíaca. No restante dos casos, a moderação e o equilíbrio são as chaves de uma nutrição saudável. “O corpo humano é adaptado para lidar com diferentes nutrientes. Mais importante do que excluir o glúten é cuidar do intestino, cultivar uma dieta variada e nutritiva, manter o sono em dia, praticar atividade física e equilibrar a saúde emocional. Esses, sim, são os fatores que transformam a vida e previnem doenças a longo prazo”, conclui.

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