
Construir uma empresa exige anos de trabalho, investimento e decisões que, muitas vezes, envolvem também o patrimônio pessoal do empresário. Enquanto grande parte da atenção está voltada ao crescimento do negócio, riscos capazes de comprometer tanto o CNPJ quanto o CPF podem permanecer invisíveis até que seja tarde demais.
Os números ajudam a dimensionar esse cenário. Segundo o Indicador de Falências e Recuperações Judiciais da Serasa Experian, o número de empresas em recuperação judicial no Brasil chegou a 2.466 em 2025, alta de 13% em relação às 2.184 registradas em 2024 e o maior nível da série histórica do indicador.
Outro levantamento reforça o alerta. Dados do Monitor RGF-BIZDOC, divulgados em agosto de 2026, mostram que o número de empresas em recuperação judicial passou de 3.823, no segundo trimestre de 2023, para 6.341 no mesmo período de 2026, crescimento de 65,8% em três anos.
Embora a recuperação judicial seja um instrumento legítimo para empresas em crise, o avanço desses números também chama atenção para uma questão pouco discutida: o empresário está preparado para enfrentar os riscos inerentes à atividade empresarial?
Para Tiana Justino, especialista em proteção financeira e patrimonial, essa análise precisa começar antes de qualquer sinal de crise. “Todo empresário deveria olhar para a proteção sob duas perspectivas: a do CNPJ e a do CPF. Quando se empreende, ambos estão expostos a riscos. O que muda de uma empresa para outra é onde estão essas vulnerabilidades e qual pode ser o impacto financeiro de cada uma delas.”

Não existe, segundo ela, uma fórmula única. Segmento de atuação, estrutura societária, patrimônio, faturamento, responsabilidades assumidas, pessoas-chave e composição familiar estão entre os fatores que precisam ser considerados.
Por isso, o primeiro passo não seria contratar um produto, mas realizar um diagnóstico. “É preciso identificar o que poderia causar um impacto financeiro relevante para aquela empresa, para os sócios e para suas famílias. Somente depois desse diagnóstico é possível construir uma estratégia de proteção realmente eficiente”, afirma Tiana.
Quando o risco empresarial chega ao patrimônio pessoal
A separação entre pessoa física e pessoa jurídica é um dos princípios da atividade empresarial, mas não deve ser interpretada como uma garantia absoluta de proteção do patrimônio pessoal em qualquer circunstância. Dependendo da estrutura do negócio e da situação envolvida, determinados acontecimentos podem produzir consequências que ultrapassam os limites da empresa.
Mesmo sem uma responsabilização jurídica direta, uma crise pode exigir recursos dos próprios sócios para preservar a operação. Por isso, o planejamento deve ser feito enquanto ainda existe capacidade de decisão.
O mesmo raciocínio vale para o planejamento sucessório. A morte ou incapacidade de um sócio pode afetar capital de giro, continuidade operacional, participação societária e relações entre herdeiros e demais sócios. Dessa forma, proteção empresarial e familiar precisam ser analisadas de maneira integrada.
Da venda de seguros à gestão de riscos
A trajetória profissional de Tiana acompanha uma transformação no setor, com uma atuação cada vez mais voltada ao diagnóstico, prevenção e planejamento. Ao longo da carreira, ela assessorou aproximadamente 680 clientes e famílias em projetos relacionados ao planejamento patrimonial e à aquisição de ativos. Atualmente, estratégias desenvolvidas em seu trabalho beneficiam cerca de 400 famílias.
Sua atuação também foi reconhecida pelo mercado de seguros. Em 2024, conquistou a qualificação para a Million Dollar Round Table (MDRT) pelos resultados alcançados na MetLife Brasil. Em 2025, voltou a se qualificar, dessa vez por sua atuação junto à MAG Seguros. As conquistas possibilitaram sua participação em conferências internacionais em Vancouver, no Canadá, e Miami, nos Estados Unidos.

Para Tiana, porém, a contratação de uma solução representa apenas parte do processo. Acompanhamento, revisão das coberturas, atualização de beneficiários e capitais segurados e adequação às mudanças patrimoniais, familiares e empresariais são fundamentais para manter a proteção ao longo do tempo.
“Empresas crescem, patrimônios mudam, famílias aumentam e responsabilidades também se transformam. Uma proteção construída anos atrás pode já não ser suficiente para a realidade atual. Por isso, esse planejamento precisa ser acompanhado e revisado.”
Em um cenário de aumento das recuperações judiciais e maior complexidade nas relações empresariais, antecipar riscos passa a fazer parte da estratégia de continuidade do negócio. Construir patrimônio exige tempo. Protegê-lo exige planejamento.
“Porque proteger uma empresa não significa apenas proteger o negócio. Significa proteger também a sua continuidade, o patrimônio construído e o futuro de quem está por trás dele. Trata-se de prevenir hoje aquilo que, amanhã, pode ser muito mais difícil e mais caro remediar”, afirma Tiana.









