Eleita Miss Haiti, Ana Francisco diz que transformou dor do racismo em conquistas e superação
Além da carreira como modelo, Ana é bacharel em Direito e ostenta o título de Princesa do Samba

Representando o Haiti no Miss Copa do Mundo, a modelo Ana Francisco carrega uma história que vai muito além das passarelas. Aos 33 anos, a bacharel em Direito, princesa do samba e atleta de fisiculturismo afirma que quase abandonou um dos seus maiores sonhos depois de enfrentar episódios de racismo dentro de uma academia.
Segundo ela, o ambiente que deveria representar saúde e superação acabou se tornando um lugar de dor. “Foram situações que me fizeram sentir deslocada, julgada e diminuída. Eu estava enfrentando uma depressão e pensei seriamente em desistir. Foi um dos momentos mais difíceis da minha vida”.
Ana conta que a fé foi determinante para seguir em frente. Em vez de abandonar o esporte, decidiu transformar a experiência em propósito. Assim nasceu o Projeto Princesona, iniciativa que une preparação para o fisiculturismo com incentivo à autoestima, disciplina e fortalecimento emocional, especialmente entre mulheres negras.
“Não queria que outras mulheres passassem pelo que eu vivi. O projeto nasceu para mostrar que ninguém pode limitar quem decide vencer. Quero incentivar mulheres negras a entenderem que podem ocupar qualquer espaço. Podemos ser atletas, advogadas, sambistas, professoras, médicas, musas ou o que quisermos. Não existe profissão ou sonho que tenha cor”.
Além da carreira como modelo, Ana é bacharel em Direito, ostenta o título de Princesa do Samba e mantém uma rotina intensa de preparação física voltada ao fisiculturismo. Para ela, as diferentes áreas da sua trajetória mostram que uma mulher não precisa ser definida por um único rótulo.
“O concurso me dá a oportunidade de representar o Haiti, mas também de representar milhares de mulheres que ainda enfrentam preconceitos diariamente. Quero que elas olhem para mim e sintam que também conseguem”.
Agora, Ana espera que o Miss Copa do Mundo seja mais um passo para ampliar o alcance do Projeto Princesona e consolidar sua atuação no universo fitness e artístico. “Minha maior conquista será abrir caminhos para que outras mulheres negras sonhem mais alto e ocupem espaços onde muitas vezes disseram que elas não pertenciam”.












