Saúde

Gabriel Ruiz aposta no intestino como chave para o emagrecimento

Nutricionista afirma que ajustar inflamação, metabolismo e sinais de fome e saciedade pode ser mais eficaz do que insistir apenas no corte de calorias

 

Em meio ao mercado lotado de fórmulas rápidas, dietas radicais e promessas de resultado imediato, o nutricionista Gabriel Ruiz tenta sustentar um discurso menos apelativo e mais ancorado em estratégia clínica. Formado pela Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, ele é o criador do Método Intestino Magro, protocolo que parte de uma ideia simples, mas ainda pouco explorada fora do meio técnico: antes de pensar apenas em restrição calórica, é preciso entender como o organismo está funcionando.

A base da metodologia está na relação entre saúde intestinal e processos metabólicos ligados ao ganho de peso e à dificuldade de emagrecer. Durante a pós-graduação, Ruiz passou a se aprofundar em estudos sobre microbiota intestinal, síndrome metabólica, resistência à insulina e inflamação crônica. A partir daí, estruturou uma abordagem que coloca o intestino no centro do raciocínio clínico. Segundo ele, em muitos pacientes, o problema não está apenas na quantidade de comida ingerida, mas na forma como o corpo responde a inflamações, hormônios e sinais biológicos que regulam fome, saciedade e armazenamento de energia.

O método foi organizado em cinco fases: diagnóstico, modulação, progressão, consolidação e lapidação. Na prática, a proposta é acompanhar o paciente de forma gradual, com metas e ajustes ao longo do processo. Ruiz defende que esse desenho ajuda a transformar conhecimento técnico em aplicação real, sem perder de vista a individualização. Em vez de repetir cardápios genéricos ou impor regras iguais para todos, o protocolo busca considerar sintomas, rotina, comportamento alimentar e contexto clínico.

Um dos pontos mais explorados por ele é o papel do intestino como agente ativo no metabolismo. Ruiz argumenta que alterações na permeabilidade intestinal e no equilíbrio da microbiota podem favorecer a produção de substâncias inflamatórias, com impacto sobre a resistência à insulina e outros mecanismos importantes para o emagrecimento. Ele também chama atenção para a função hormonal do intestino, que participa da produção de compostos como GLP-1, GIP e PYY, envolvidos na regulação do apetite. Quando esse sistema está desorganizado, a fome pode aumentar, a saciedade pode cair e o processo de adesão a qualquer plano alimentar tende a ficar mais difícil.

Outro diferencial do discurso de Gabriel Ruiz está na recusa às restrições radicais como regra permanente. Embora admita fases mais rígidas em alguns casos, ele afirma que o objetivo é sempre construir uma alimentação possível de manter no longo prazo. A lógica é clara: uma dieta só funciona de verdade quando cabe na vida real. Por isso, o planejamento alimentar é montado de forma individualizada, com alimentos que o paciente consegue sustentar na rotina, sem transformar cada refeição em castigo. É um raciocínio que conversa com uma demanda crescente de pacientes cansados de estratégias intensas no início e insustentáveis depois.

O acompanhamento, segundo ele, vai além da balança. O método inclui biofeedbacks semanais, análise de sintomas, evolução clínica e hábitos de vida. Isso permite observar mudanças que nem sempre aparecem de imediato no peso, mas que ajudam a medir a resposta do organismo ao tratamento. Em vez de tratar o emagrecimento como simples conta matemática, Ruiz tenta posicioná-lo como resultado de uma reorganização mais ampla do corpo e do comportamento.

Esse olhar também amplia o campo de atuação da metodologia. Além do emagrecimento, Ruiz diz que o protocolo pode contribuir em casos de distúrbios hormonais e doenças gastrointestinais. Um dos exemplos citados por ele é o de uma paciente com constipação severa que, após ajustes na alimentação, na hidratação e no uso de fibras e probióticos, apresentou melhora importante no trânsito intestinal, na disposição e na relação com a comida.

Pensado para ganhar escala, o método também foi estruturado para ser replicado por outros nutricionistas, desde que a individualização de cada caso seja preservada. Agora, o desafio, segundo Ruiz, é expandir sem perder qualidade, com investimento em equipe, treinamento e tecnologia. Em um setor em que exagero virou método de venda, Gabriel Ruiz tenta vender outra ideia: a de que, no emagrecimento, o atalho costuma ser a parte mais enganosa da história.

Thiago Michelasi

Thiago Michelasi é jornalista, assessor de imprensa e apresentador de TV. Atualmente é CEO do Tô Na Fama!, portal parceiro de conteúdo do IG e apresentador do Programa Tô Na Fama! em afiliadas da Rede TV!. Além disso é colunista no Cartão de Visita do R7, no IG Gente, no Meia Hora e de diversos outros portais além de já ter sido colunista também no Observatório dos Famosos do UOL. Siga Thiago Michelasi no Instagram: instagram.com/thiagomichelasi
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