
Em Mococa, uma prova mudou o rumo da trajetória de Gustavo Felippe, personal trainer e atleta que vem se destacando nas corridas de rua da região. Foi na tradicional corrida “Adriano Macedo Zeferino” que nasceu a paixão pela modalidade. Incentivado pelo irmão, que já treinava, ele decidiu participar da disputa sem imaginar que aquele seria o ponto de partida de uma jornada marcada por disciplina, superação e conquistas.
Dois meses após a prova, o que era curiosidade virou compromisso. Os treinos passaram a ser específicos, com foco em evolução e performance. “Meu irmão foi minha grande influência. Ele me ajudou muito no começo e foi essencial para que eu levasse a corrida a sério”, relembra Gustavo.
Personal trainer atuante, ele já vivia do esporte, mas a corrida não teve relação direta com o início da carreira. O momento decisivo veio quando precisou abdicar de outros esportes para se dedicar mais aos treinos. O voleibol, que também fazia parte da rotina, passou a ter menos espaço. “Eu só tinha um horário disponível para treinar. Como o horário da corrida era o que encaixava na minha rotina, precisei priorizar. Não deixei o vôlei, mas diminui a frequência. Foi uma decisão complicada”, conta.
Entre as provas mais marcantes está a última etapa do Circuito Continentes, disputada em Tapiratiba, onde conquistou seu primeiro pódio, um momento inesquecível. Em Vargem Grande do Sul, veio o título de campeão, consolidando sua evolução como atleta. Mas nem só de vitórias vive um competidor. Em uma prova em Mococa, após manter a segunda colocação geral durante quase todo o percurso, foi surpreendido por uma panturrilha que travou nos metros finais. “Foi marcante pelo lado negativo. A lesão mostrou que qualquer descuido cobra seu preço.”
Atualmente, a rotina é intensa, com cinco treinos específicos por semana, intercalando todas as zonas de treinamento e respeitando a periodização. O próprio Gustavo monta seus treinos, mas busca orientação de profissionais mais experientes quando necessário, reforçando sua responsabilidade tanto como atleta quanto como personal trainer.
Para ele, um dos maiores erros de quem começa é treinar por conta própria, sem orientação adequada. “A corrida é complexa. Qualquer vacilo pode gerar lesão. Outro erro é a pressa por evolução. Muita gente acha que precisa treinar forte o tempo todo, mas o máximo é só no dia da competição. O que faz evoluir é estratégia e periodização.” Ele também explica que existe muita diferença entre treinar para performance e para qualidade de vida. A performance exige muita dedicação e um treino altamente específico, enquanto a qualidade de vida é algo mais leve, sem tanta intensidade.
Antes de montar um planejamento para seus alunos, ele realiza anamnese, analisa o histórico do atleta e aplica testes como o VO2 máximo, garantindo um treino individualizado e seguro. No início da trajetória, enfrentou a famosa “síndrome do corredor”, resultado do aumento rápido do volume de treino. A experiência trouxe maturidade e reforçou ainda mais a importância da orientação profissional, algo que ele faz questão de aplicar no dia a dia.
Entre as provas mais desafiadoras estão as com forte altimetria, como competições organizadas pela Skyfit em Mococa, etapas do Circuito Continentes em Muzambinho e uma disputa recente em Porto Ferreira, todas marcadas por subidas intensas e alto grau de exigência física. Curiosamente, é nos quilômetros finais que ele mais se destaca. “Eu adoro a parte final da prova. É ali que consigo render melhor.”
Vivendo do esporte, Gustavo afirma que a corrida impacta diretamente sua saúde física e mental, além de servir como exemplo para seus alunos. “A prova é só um detalhe. O lado mental começa nos treinos. Não existe boa sorte, existe boa prova. Para quem treinou, é boa prova. Para quem não treinou, é boa sorte.”
Nas redes sociais, compartilha vídeos e fotos dos treinos sempre que possível, mostrando bastidores da preparação e reforçando sua dedicação como atleta e personal trainer. A transformação também foi pessoal, tornou-se mais disciplinado, atento à alimentação e ainda mais comprometido com o trabalho.
A principal meta agora é baixar cada vez mais o tempo nos 5km. Apesar dos resultados expressivos, pretende seguir como atleta amador, mantendo o foco na carreira como personal trainer. Ele acredita que a corrida de rua no Brasil ainda é pouco valorizada no cenário profissional, mas observa que o running amador vive um momento de alta, com cada vez mais pessoas buscando a modalidade tanto por performance quanto por lazer.
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