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Quando o petróleo sobe, o mercado de trabalho sente: o alerta econômico de Diego Gomes

A elevação no preço do barril pressiona empresas, afeta o consumo e pode desencadear reflexos diretos na geração de empregos e no crescimento econômico.

Enquanto o mundo acompanha conflitos geopolíticos e oscilações no preço do petróleo, um efeito menos visível começa a preocupar economistas: o impacto direto dos choques de energia sobre empregos, renda e estabilidade social. É justamente nesse cruzamento entre energia, macroeconomia e mercado de trabalho que atua o economista brasileiro Diego Gomes, economista sênior do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Com sólida formação em matemática aplicada, finanças e economia, Diego Gomes construiu uma trajetória internacional voltada à compreensão dos impactos que grandes choques econômicos exercem sobre a sociedade. Sua atuação combina modelagem macroeconômica, estatística avançada e análise quantitativa aplicada a políticas públicas globais. Ao longo da carreira, vem se dedicando a pesquisas sobre crescimento econômico, formulação de políticas públicas e as transformações do mercado de trabalho em economias emergentes e desenvolvidas. Seu trabalho busca entender como choques globais se propagam pelas economias e afetam emprego, renda e desigualdade ao longo do tempo.

Um dos temas centrais de seu trabalho recente é justamente o impacto das crises do petróleo sobre o emprego. Em julho de 2025, Diego publicou o estudo “Oil Shocks and Labor Market Developments”, em parceria com colegas do FMI. O trabalho ganhou ainda mais relevância diante do atual cenário internacional, marcado por tensões geopolíticas, volatilidade nos mercados de energia e riscos de interrupção nos fluxos globais de petróleo.

O trabalho analisou dados trimestrais de 89 países ao longo de quase cinco décadas, utilizando técnicas econométricas avançadas e identificação de choques de petróleo em alta frequência para medir seus impactos sobre emprego, desemprego e participação na força de trabalho.

A reportagem do Financial Times “The Global Wave of Energy Rationing” mostra como diversos países vêm adotando medidas emergenciais para conter o consumo de combustível após a alta nos preços do petróleo causada pela guerra contra o Irã. Em países asiáticos, governos passaram a incentivar trabalho remoto, reduzir jornadas e limitar o uso de energia.

Mas, segundo Diego Gomes, os efeitos econômicos vão muito além da conta de luz ou do preço da gasolina.

Choques de energia afetam diretamente a capacidade de produção das empresas, reduzem investimentos e diminuem o consumo das famílias. Em economias mais vulneráveis, isso rapidamente se traduz em desaceleração econômica e, consequentemente, deterioração das condições do mercado de trabalho, culminando em perda de empregos.

As análises conduzidas pelo FMI mostram que choques de petróleo podem gerar perdas persistentes de emprego, especialmente em economias importadoras de energia e em setores intensivos em petróleo.

Para Diego, o problema é estrutural. Países que possuem maior intensidade energética em suas economias, especialmente nos setores industrial, logístico e de transporte, sentem maior impacto em toda sua cadeia produtiva quando o petróleo sobe. Os efeitos acabam se espalhando para diferentes setores da economia por meio do aumento de custos de produção.

Isso significa menos produção, menor competitividade e empresas mais cautelosas na contratação de trabalhadores. Os resultados do estudo mostram que esses efeitos podem persistir por vários anos após o choque inicial.

O economista brasileiro também chama atenção para um fenômeno que muitas vezes passa despercebido: a mudança permanente no comportamento econômico após grandes crises energéticas. O próprio Financial Times destaca que choques prolongados podem alterar padrões de consumo e acelerar transformações estruturais nas economias. Segundo Diego Gomes, crises energéticas prolongadas podem provocar mudanças persistentes na composição setorial do emprego e na dinâmica do mercado de trabalho.

É nesse ponto que o trabalho de Diego ganha importância estratégica.

Além de estudar os impactos imediatos das crises, ele desenvolve modelos econômicos capazes de orientar governos na formulação de políticas públicas mais resilientes. Entre suas atividades no FMI estão o desenvolvimento de ferramentas para diagnósticos de mercado de trabalho e modelos macroeconômicos voltados à avaliação de políticas públicas. Seu trabalho também inclui análises sobre heterogeneidade setorial, choques globais e mecanismos de transmissão econômica entre países.

Sua trajetória internacional inclui ainda pesquisas sobre mercado de trabalho, desigualdade, capital humano, demografia e crescimento econômico em países ao redor do mundo. Ao longo dos últimos anos, Diego participou de estudos voltados para África, Oriente Médio, Europa e economias emergentes, sempre com foco na relação entre políticas econômicas e desenvolvimento sustentável e inclusivo.

Em um momento em que o mundo volta a discutir segurança energética, inflação global e risco de recessão, o trabalho de economistas como Diego Gomes ajuda a traduzir um problema aparentemente distante em algo extremamente concreto: empregos, renda e estabilidade econômica para milhões de pessoas. Ao conectar choques globais a impactos reais sobre o mercado de trabalho, seus trabalhos contribuem para o desenvolvimento de políticas públicas mais preparadas para enfrentar períodos de instabilidade internacional.

https://www.imf.org/en/publications/wp/issues/2025/07/18/oil-shocks-and-labor-market-developments-568665

https://www.ft.com/content/a9f56d68-4cdd-47f7-873e-ca6ac0ea8962?syn-25a6b1a6=1

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