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Segunda Noite Do Rec-Beat Reafirma O Festival Como O Olhar Mais Refinado Do País

No Cais da Alfândega, programação celebra 30 anos com noite potente, diversa e marcada por encontros entre ancestralidade, vanguarda e rap nacional

A segunda noite do Festival Rec-Beat 2026 confirmou, mais uma vez, por que o evento segue sendo referência quando o assunto é curadoria, ousadia e relevância artística no Brasil. Celebrando 30 anos de história, o festival transformou o Cais da Alfândega, no Recife Antigo, em um verdadeiro epicentro da música urgente e provocativa, reunindo performances que atravessaram continentes, ritmos e narrativas.

A abertura ficou por conta da DJ e produtora Afrobitch, que comandou um set pulsante e cheio de significado. Misturando afrobeats e funk, ela não apenas aqueceu o público: ocupou o espaço com identidade e discurso. “O som que eu trago não é só batida, é corpo e política. Abrir a programação de uma noite de artistas pretos e globais no coração do Recife Antigo e nos 30 anos do Festival, é reafirmar que é a nossa linguagem que conecta o mundo”, disse em entrevista.

Em seguida, o multiartista Chico Chico elevou o tom emocional da noite ao apresentar uma performance marcada por resgates de clássicos brasileiros e uma entrega que uniu tradição e reinvenção. O show ainda ganhou um momento especial com a participação do recifense Renan Renan, selando um encontro que arrebatou o público e virou um dos pontos altos da noite.

A atmosfera mudou com a chegada do senegalês Momi Maiga, que levou ao palco a kora como uma “tecnologia viva” da ancestralidade africana. Em um espetáculo de sofisticação, ele conectou a tradição dos griots ao jazz e ao flamenco contemporâneo, arrancando silêncio, reverência e aplausos intensos de quem acompanhava atento cada detalhe da apresentação.

A baiana Josyara manteve a intensidade do line-up e incendiou o Cais da Alfândega com sua força percussiva, letras de resistência e presença técnica impecável. Com a guitarra como guia, ela foi um dos grandes destaques da edição comemorativa. “Tocar no Cais da Alfândega é como desaguar no mar. Esse público do Rec-Beat fez uma escuta generosa para o ‘Avia’ e também o minha ‘Mansa Fúria’. Dialogar com essa história de 30 anos é um dos momentos mais potentes da minha caminhada”, comentou.

A experimentação atingiu o auge com o ugandense Faizal Mostrixx, em uma performance que rompeu fronteiras entre som e movimento. Com batidas eletrônicas e propostas rítmicas do Leste africano, ele entregou um afrofuturismo prático, vanguardista e impactante — reforçando que o Rec-Beat segue sendo território onde novas linguagens se encontram e apontam para o futuro.

O encerramento ficou sob o comando de Ajulliacosta, que levou ao palco o peso do rap e do R&B paulista para fechar a noite com soberania. Com flow afiado e narrativa potente, a artista celebrou a própria trajetória e a presença feminina preta no festival. “Estar nesse line-up como mulher preta e independente é uma mensagem direta. O Rec-Beat me deu o palco para mostrar que a nossa estética é realeza. Fechar os 30 anos deste festival com o asfalto de SP encontrando o cais do Recife é histórico”, afirmou após a apresentação.

A programação do Rec-Beat 2026 continua nesta segunda-feira (16), com mais uma noite marcada pela diversidade sonora e espírito de vanguarda. O público acompanha shows de Zoe Beats, Barbarize, Jadsa, NandaTsunami, o DJ britânico-nigeriano Kikelomo e o aguardado retorno de Johnny Hooker, abrindo a turnê “Viver e Morrer na América Latina”.

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