
Quando pensamos em atualidade, automaticamente remetemos a protótipos, assistentes virtuais e mídias digitais espalhadas por cada canto dos espaços urbanos. Um medo que realmente aflige o cidadão comum continua sendo a substituição dos seres de carne pelos seres de metal e software. Porém, a verdade é que as máquinas e engenhocas são fruto da imaginação e da necessidade humana, e há coisas nesta vida que somente nós teríamos o tato e a sensibilidade para conceber.
Mais do que uma resolução de problema, a medicina é fonte de saúde pública e está em todos os lugares com o intuito de proporcionar bem-estar e longevidade à população. Pensando nisso, diversas alternativas de intervenções vêm sendo criadas e adaptadas às limitações do corpo, e ninguém melhor do que outro ser humano para conseguir essa façanha.
Recentemente, pesquisadores alemães, em colaboração com o instituto Fraunhofer, desenvolveram um hidrogel biodegradável inovador que estimula a regeneração da cartilagem articular. A intenção é permitir que, de uma maneira menos invasiva e sem depender de cirurgias tradicionais, os pacientes possam obter o mesmo desempenho. O material atua como uma matriz temporária que atrai células-tronco, promovendo o crescimento de novo tecido cartilaginoso.
A ideia é incrível, e um protótipo bem parecido foi construído no Brasil, na Unicamp, em 2022. A esperança para quem sofre de osteoartrite ou artrite, responsável por até 40% das consultas em ambulatórios de reumatologia, segundo a Sociedade Brasileira de Reumatologia, seria um injetável que se transforma em hidrogel com um material capaz de absorver grande quantidade de água. É bioabsorvível e compatível com os tecidos conjuntivos, permitindo o reparo de discos intervertebrais e de outras articulações no local da lesão. Age como um amortecedor semelhante ao da cartilagem, gerando alívio da dor e melhoria da mobilidade.
No caso do material desenvolvido pelos cientistas alemães, à medida que a lesão vai se controlando, o que foi aplicado é dissolvido naturalmente no organismo, eliminando a necessidade de ser retirado cirurgicamente. Eles também destacam que outros exemplares semelhantes já estiveram em ascensão, como o ChondroFiller, igualmente alemão, lançado em 2013.
A principal vantagem do hidrogel, em perspectivas futuras, é a capacidade de regenerar a cartilagem que um dia existiu, utilizando células do próprio paciente, reduzindo riscos de rejeição e complicações associadas a implantes permanentes. Isso direciona para a realização de ensaios clínicos, garantindo que tudo ocorra bem em humanos antes da produção em larga escala.
Escrito por Kethelyn Rodrigues, supervisionada por Henrique Souza.









