Coluna Rodrigo Teixeira

Bruna Marquezine e Shawn Mendes: por que casais estão deixando de dar satisfação sobre a própria relação?

Segundo especialista, viver um relacionamento “no off” pode ser saudável quando existe alinhamento emocional entre o casal

A presença de Shawn Mendes no Brasil voltou a movimentar as redes sociais e reacender os rumores de um possível romance com Bruna Marquezine. O cantor canadense foi visto no Rio de Janeiro e flagrado ao lado da atriz em momentos de intimidade, o que intensificou as especulações sobre o envolvimento entre os dois. Ainda assim, mesmo diante da repercussão, nenhum dos dois se posicionou oficialmente sobre o status da relação, mantendo uma postura discreta e distante da necessidade de dar explicações públicas.

O comportamento do possível casal chama atenção não apenas pelo envolvimento em si, mas pela forma como lidam com a exposição. Em um cenário onde relacionamentos são frequentemente assumidos, rotulados e acompanhados em tempo real pelas redes sociais, a escolha de não confirmar nem negar o vínculo revela uma mudança cada vez mais presente na forma de se relacionar: casais que simplesmente vivem a relação sem a obrigação de prestar contas ao público.

“Hoje existe um movimento muito claro de pessoas que não sentem mais a necessidade de validar o relacionamento para o outro ou para o mundo. Elas entendem que o vínculo precisa fazer sentido para quem está dentro dele, e não para quem está assistindo de fora”, afirma Roberson Dariel, Pai de Santo e especialista em reconciliação de casais do Instituto Unieb.

Segundo o especialista, a pressão por definição, como assumir, rotular ou explicar o relacionamento, muitas vezes vem mais do ambiente externo do que do próprio casal. Redes sociais, opinião pública e expectativas culturais acabam criando a ideia de que toda relação precisa ser exposta e compreendida por terceiros, o que pode gerar ansiedade e interferir na construção natural do vínculo.

“Muitas vezes o casal está bem, mas a cobrança externa começa a gerar dúvida, ansiedade e até conflitos desnecessários. Quando as pessoas conseguem se desvincular dessa necessidade de aprovação, elas passam a viver a relação com mais leveza e autenticidade”, explica Roberson.

Essa postura também está relacionada ao desenvolvimento da autonomia emocional, conceito que envolve a capacidade de sustentar escolhas afetivas sem depender da validação constante de outras pessoas. Em vez de viver o relacionamento para ser visto, o foco passa a ser a experiência real entre os dois, respeitando o tempo e o ritmo da conexão.

“Nem todo relacionamento precisa de um rótulo imediato. Algumas conexões precisam de tempo para se desenvolver, e essa liberdade pode ser saudável quando existe clareza entre as partes. O mais importante não é o quanto o relacionamento aparece, mas o quanto ele faz sentido para quem está vivendo”, pontua.

Mais importante que assumir é estar na mesma velocidade

A escolha por viver um relacionamento de forma discreta não deve ser interpretada como falta de comprometimento, mas como uma forma diferente, e muitas vezes mais consciente, de construir um vínculo. Para o especialista, o ponto central não está na exposição ou na ausência dela, mas no alinhamento entre as expectativas e intenções de quem está na relação.

“Quem precisa entender o ritmo da relação é o próprio casal. Não existe tempo certo para assumir, expor ou rotular. O mais importante é que os dois estejam na mesma velocidade, seja ela mais rápida, mais lenta, mais discreta ou mais aberta”, afirma Roberson Dariel.

Segundo ele, quando existe esse alinhamento, a relação tende a se desenvolver com mais segurança emocional, independentemente do formato escolhido. A responsabilidade afetiva, nesse contexto, nasce justamente desse acordo silencioso entre as duas pessoas. “Quando os dois estão alinhados, a relação ganha leveza e segurança”, explica.

O cuidado, no entanto, aparece quando existe um descompasso entre os envolvidos. Situações em que uma pessoa deseja avançar emocionalmente enquanto a outra prefere manter o vínculo mais superficial podem gerar insegurança e frustração. “O único ponto de atenção é quando um quer aprofundar a relação e o outro quer manter algo mais leve ou sem compromisso. Quando não existe esse alinhamento, a liberdade de um pode se transformar na insegurança do outro”, alerta Roberson Dariel.

No fim, a postura de casais que escolhem não dar satisfação sobre a própria relação revela uma transformação no comportamento amoroso contemporâneo. Menos centradas em rótulos e mais focadas na experiência real, essas relações podem ser saudáveis quando construídas com diálogo, respeito e consciência emocional. “Mais importante do que avançar rápido ou devagar é avançar juntos, no mesmo ritmo e com clareza sobre o que está sendo vivido”, conclui Roberson Dariel.

Rodrigo Teixeira

Repórter com mais de 15 anos de carreira. Formado em Jornalismo e Direito pela Estácio de Sá e pós-graduado em Fiscalização, Controle e Orçamento Público e Metodologia do Ensino Superior, ambas pela Escola do Legislativo do Estado do Rio de Janeiro (Elerj). Com experiência em diversos segmentos do jornalismo, entre eles, no meio corporativo, artístico, e no poder público. Com passagem pelas redações dos maiores portais de internet do país, como Terra, UOL e R7. Inclusive já produziu conteúdo para o portal iG. Experiência de gestão, redação e projetos especiais para o on-line dos Jornais O Dia e Meia Hora. Web Repórter da Rede TV, na sucursal do Rio de Janeiro e correspondente do programa "Tô na Fama", da Rede TV do Tocantins. E correspondente no Rio de Janeiro do programa Tô no SBT, do SBT Barra do Tocantis.
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