Primavera pode ser a melhor época para tirar aquela tatuagem do papel
Temperaturas mais amenas, menos roupas pesadas e distância do auge da temporada de praia facilitam cuidados com a tattoo

A primavera de 2026 começa oficialmente no Hemisfério Sul nesta terça-feira, 22 de setembro, às 21h05, pelo horário de Brasília. A chegada da nova estação marca não apenas a mudança nas temperaturas e na rotina, mas também o início da preparação de muita gente para o verão. Para quem pretende fazer uma nova tatuagem, esse intervalo entre o frio e os meses mais quentes pode ser uma boa oportunidade para finalmente tirar aquela ideia do papel.
Não significa que a pele tenha uma capacidade especial de cicatrização durante a primavera. A vantagem está principalmente na rotina. Temperaturas mais amenas, menor exposição ao calor extremo e um período ainda distante do auge de praias e piscinas podem facilitar os cuidados necessários depois da sessão.
Para Thiago Cortez, CEO do Beco Tattoo e Piercing, que possui uma nova unidade em São Vicente, na Baixada Santista, escolher quando fazer uma tatuagem também exige pensar nos dias seguintes.
“Muita gente escolhe o desenho, o tamanho e o lugar do corpo, mas esquece de pensar em como será sua rotina depois. A tatuagem não termina quando a pessoa se levanta da cadeira. Ali começa uma fase muito importante, que é a dos cuidados”, explica Cortez.
Menos sol e calor ajudam na rotina
Uma tatuagem recém feita exige atenção durante o processo de cicatrização. Entre os principais cuidados está evitar a exposição solar direta da área tatuada enquanto a pele se recupera.
Nesse aspecto, a primavera pode levar vantagem sobre o auge do verão. Embora os dias já sejam mais quentes e ensolarados, normalmente ainda não existe a mesma combinação de altas temperaturas, férias, praia e longos períodos ao ar livre.
“Quem decide tatuar precisa entender que durante algum tempo terá que adaptar determinados hábitos. Fazer uma tatuagem e querer passar o dia seguinte tomando sol na praia não é uma boa combinação”, afirma Thiago.
O calor excessivo também significa mais transpiração, algo que pode aumentar o desconforto e exigir atenção adicional com a região tatuada.
“Não existe uma estação mágica para tatuar. O que existe é uma época em que algumas pessoas conseguem seguir os cuidados com mais facilidade. A primavera pode oferecer justamente esse equilíbrio”, acrescenta.
Antes da temporada de praia
Piscinas, mar e banheiras também devem ficar de fora da rotina durante o período inicial de cicatrização. Para quem vive no litoral, planejar a data da tatuagem pode fazer ainda mais diferença.
Em São Vicente, onde o Beco Tattoo e Piercing mantém uma de suas novas unidades, a chegada do verão muda rapidamente a rotina de moradores e turistas.
“Aqui na Baixada, quando chega o verão, praia faz parte da vida. Quem quer chegar à temporada com uma tattoo nova pode aproveitar os meses anteriores para fazer o trabalho e respeitar tranquilamente o período de recuperação”, diz Cortez.
A primavera ainda escapa de outro extremo. Diferentemente dos dias mais frios, há menor necessidade de casacos e roupas pesadas que, dependendo da região escolhida para a tatuagem, podem provocar atrito constante com a pele.
“Aqui não tem tatuador estrela”
Para Thiago Cortez, entretanto, escolher a época adequada representa apenas uma parte do planejamento. O empresário, que conduz um projeto de expansão do Beco Tattoo e Piercing, afirma que atendimento, segurança, orientação e relacionamento com o público precisam acompanhar a qualidade técnica.
“Nos meus estúdios, não basta ser um profissional que já tatuou na Espanha ou nos Estados Unidos. Aqui, cada integrante da equipe, do promoter ao gerente, precisa transmitir segurança e, principalmente, atender o cliente com educação e simpatia. Aqui não tem tatuador estrela. Técnica é fundamental, claro que sim, mas saber receber, ouvir e respeitar quem entra no estúdio também faz parte do nosso trabalho. O cliente precisa ser orientado, inclusive quando aquilo que ele quer fazer naquele momento não é o mais indicado. O faturamento é importante para qualquer empresa, mas ele precisa ser consequência de um atendimento seguro e responsável. Para mim, vender é um plus de um trabalho bem-feito, nunca o contrário”, afirma Cortez.
Na avaliação do empresário, o comportamento do consumidor também mudou. Hoje, quem procura um estúdio não busca apenas alguém capaz de reproduzir um desenho na pele. Quer compreender o processo, discutir sua ideia e receber orientações antes e depois da sessão.
“A pessoa quer conversar sobre a ideia, entender o processo e sentir segurança. E isso continua depois que a tattoo está pronta. Uma boa arte também depende de cuidado e de uma boa cicatrização”, conclui Thiago Cortez.
Por isso, mais importante do que procurar uma suposta “estação perfeita” é escolher um período em que seja possível cumprir os cuidados recomendados pelo profissional. Para quem pretende exibir uma tattoo nova no próximo verão, a primavera pode ser justamente a hora de começar.









