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Agentes de IA ganham acesso a sistemas corporativos e criam novos desafio para a segurança

Especialista Mathews Cruz alerta que empresas precisam controlar os novos usuários digitais antes que eles gerem riscos

A inteligência artificial está deixando de ser apenas uma ferramenta utilizada para responder perguntas, produzir textos ou analisar informações. Dentro das empresas, sistemas mais avançados já podem executar tarefas, consultar dados, interagir com outras plataformas e participar de processos que antes dependiam exclusivamente de funcionários. Para Mathews Cruz, especialista em segurança da informação, essa evolução cria uma nova preocupação: quem controla os acessos concedidos às próprias inteligências artificiais?

Fundador da Akuris e da Nexure Consulting, Mathews acompanha o avanço dessas tecnologias a partir de mais de dez anos de experiência em segurança, governança e gestão de riscos. Ao longo da carreira, atuou em empresas dos setores de energia, educação, saúde e tecnologia, estruturando áreas de segurança e conduzindo projetos relacionados à proteção de dados e conformidade.

Segundo o especialista, o problema começa quando a empresa trata um agente de inteligência artificial apenas como uma ferramenta, ignorando que ele pode receber permissões semelhantes às de um usuário humano.

“Quando uma inteligência artificial passa a acessar sistemas corporativos, ela precisa ser tratada como parte do ambiente de segurança da empresa. Não basta saber o que ela faz, é preciso saber a quais informações ela tem acesso e quais ações pode executar”, explica Mathews.

A preocupação ganha força à medida que empresas utilizam agentes capazes de realizar tarefas de forma mais independente. Um sistema pode, por exemplo, consultar documentos, organizar informações, abrir solicitações ou iniciar determinadas rotinas. Quanto maior a autonomia, maior também é a necessidade de estabelecer limites.

Na avaliação de Mathews, o desafio não está em impedir a utilização da tecnologia, mas em criar regras para que sua adoção aconteça de maneira segura.

“A inteligência artificial pode trazer ganhos enormes de produtividade, mas autonomia sem controle pode transformar uma solução criada para reduzir trabalho em uma nova fonte de risco”, afirma.

Essa questão também se relaciona diretamente à gestão de acessos, uma das áreas em que o especialista possui experiência. Durante sua trajetória, Mathews desenvolveu soluções para automatizar o gerenciamento de permissões de colaboradores e terceiros, incluindo criação, revisão e retirada de acessos.

Com a chegada dos agentes de IA, essa lógica precisa ser ampliada. Não basta controlar quem são os funcionários autorizados a entrar em determinado sistema. As empresas também precisarão entender quais agentes digitais possuem acesso, por quanto tempo, com quais permissões e para quais finalidades.

“Estamos acostumados a perguntar qual funcionário pode acessar determinado sistema. Agora precisamos fazer a mesma pergunta para os agentes de inteligência artificial”, destaca o especialista.

A questão se torna ainda mais relevante quando diferentes ferramentas de IA passam a atuar conectadas entre si. Uma permissão concedida inicialmente para uma tarefa específica pode representar um risco maior caso o agente consiga acessar outras informações ou executar ações não previstas.

Para Mathews, esse cenário exige uma mudança cultural dentro das organizações.

“Não podemos colocar a inteligência artificial dentro da operação e deixar a segurança para depois. O controle precisa nascer junto com a tecnologia, porque corrigir uma permissão excessiva depois de um incidente pode ser muito mais caro”, alerta.

A experiência prática do especialista reforça essa visão. À frente da Akuris, plataforma brasileira voltada à governança, riscos e conformidade, Mathews trabalha com automação de processos que tradicionalmente dependem de acompanhamento manual.

Para ele, a próxima etapa da transformação digital será justamente encontrar o equilíbrio entre autonomia tecnológica e responsabilidade humana.

 “O futuro não será uma empresa sem pessoas tomando decisões. Será uma empresa em que pessoas e agentes digitais trabalharão juntos, mas dentro de regras claras, rastreáveis e seguras”, conclui Mathews Cruz.

Com a expansão dos agentes autônomos, a discussão sobre inteligência artificial deixa de envolver apenas produtividade e inovação. O controle desses novos usuários digitais passa a fazer parte da própria estratégia de segurança das empresas.

 

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