Dr. Leandro Luzone amplia fronteiras do Direito ao conectar negócios, governança e estratégia
À frente da Luzone Legal e da Luzone Group, o advogado empresarial internacional defende uma atuação que ultrapassa contratos e legislações para compreender capital, risco, sucessão e a lógica dos negócios globais

Durante décadas, o advogado empresarial foi formado para dominar contratos, legislação societária, tributação, regulação e resolução de conflitos. A internacionalização dos negócios, no entanto, tornou esse repertório apenas o ponto de partida.
Uma aquisição pode reunir investidores de diferentes países, estruturas societárias internacionais, regras regulatórias distintas, financiamento, tecnologia, sanções econômicas e riscos geopolíticos. Uma empresa brasileira que decide operar nos Estados Unidos ou na Europa não está apenas diante de uma questão jurídica: está tomando uma decisão de negócio.
É nesse ambiente que Leandro Luzone construiu sua atuação. Advogado empresarial internacional, fundador da Luzone Legal e chairman da Luzone Group, ele concentra parte de seu trabalho em negócios internacionais, Corporate e M&A, governança e estruturação empresarial.
Para Luzone, o advogado que participa dessas operações precisa compreender não apenas a norma aplicável, mas a lógica econômica que produziu o problema.
“Conhecer profundamente o direito continua sendo indispensável. O que mudou é que isso, isoladamente, já não resolve todos os problemas que chegam à mesa do advogado empresarial. É preciso compreender também o negócio que existe por trás da questão jurídica.”
Antes do contrato, existe o negócio
Boa parte das decisões que posteriormente chegam aos escritórios de advocacia começa muito antes da elaboração de um documento.
Uma companhia pretende comprar um concorrente. Outra estuda entrar no mercado brasileiro. Um grupo nacional avalia uma expansão internacional. Acionistas discutem financiamento. Uma família empresária prepara a sucessão.
Antes dos contratos, pareceres e atos societários, existem decisões relacionadas a capital, risco, controle, governança e estratégia.
Em uma operação de M&A, por exemplo, Luzone considera insuficiente conhecer apenas os documentos da transação. É necessário compreender por que o comprador deseja aquele ativo, onde está seu valor, quais riscos podem comprometer a operação e como a aquisição se encaixa na estratégia de longo prazo.
Essa aproximação entre Direito e negócios ganhou relevância com o crescimento das operações transfronteiriças. Quando empresas atravessam fronteiras, questões que poderiam ser tratadas separadamente passam a fazer parte de uma única decisão empresarial.
A inteligência de operar em diferentes jurisdições
Atuar internacionalmente não significa dominar a legislação de todos os países — uma tarefa impraticável. O diferencial, segundo Luzone, está na capacidade de identificar os temas relevantes, compreender como diferentes jurisdições se relacionam e coordenar os especialistas necessários em cada mercado.
Operações internacionais frequentemente envolvem advogados, contadores, consultores e profissionais de diferentes áreas. Nesse cenário, a função do advogado também passa pela capacidade de conectar essas especialidades e transformá-las em informação útil para a tomada de decisão.
“Nenhum profissional domina o direito de todos os países. A capacidade internacional está muito mais em saber identificar as questões relevantes, compreender como elas se relacionam e coordenar os especialistas adequados em cada jurisdição.”
Essa visão levou Luzone a concentrar sua atuação em operações que envolvem empresas estrangeiras interessadas no mercado brasileiro e companhias brasileiras com projetos no exterior.
Da advocacia aos livros
A experiência profissional também se transformou em produção intelectual. Luzone já publicou livros relacionados à organização e à proteção patrimonial e prepara novos trabalhos na interseção entre Direito, negócios internacionais, governança e continuidade empresarial.
A escrita, segundo ele, permite observar padrões que nem sempre ficam evidentes quando cada problema é analisado individualmente.
“Existe uma diferença entre resolver um problema para um cliente e tentar compreender por que aquele mesmo tipo de problema continua aparecendo em empresas, famílias e organizações diferentes. A escrita permite sair do caso específico e procurar os padrões.”
Entre os temas que passaram a ocupar suas pesquisas estão a internacionalização de empresas e patrimônios, a governança das organizações e os fatores que determinam a capacidade de uma companhia sobreviver à geração que a criou.
O desafio de sobreviver ao fundador
Empresas podem acumular patrimônio, marcas, contratos e clientes durante décadas e, ainda assim, perder valor quando conhecimento, autoridade e relacionamentos permanecem excessivamente concentrados no fundador.
Para Luzone, sucessão patrimonial e continuidade institucional são questões relacionadas, mas não idênticas.
“Transferir ações é uma questão jurídica. Transferir capacidade de decisão é um problema institucional. Uma empresa pode ter a sucessão societária perfeitamente organizada e continuar excessivamente dependente da pessoa que a criou.”
A mesma lógica alcança famílias empresárias. Herdar patrimônio não significa necessariamente estar preparado para administrá-lo — assim como receber ações não deveria significar, automaticamente, assumir a gestão de uma companhia.
É nesse ponto que Direito, governança e estratégia passam a ocupar o mesmo espaço.
Uma advocacia sem fronteiras
A trajetória de Luzone acompanha essa transformação. Sua atuação combina advocacia empresarial, operações internacionais e M&A com estudos sobre governança e desenvolvimento institucional.
O movimento, segundo ele, não representa um afastamento da advocacia tradicional. Reflete uma mudança nos próprios problemas apresentados pelos clientes.
“As empresas não organizam seus problemas por área do direito. O empresário não acorda pensando que possui uma questão de direito societário ou regulatório. Ele quer comprar uma empresa, entrar em um país, receber um investimento, resolver um conflito ou preparar o negócio para a próxima geração.”
A consequência é uma inversão importante de perspectiva: em vez de adaptar o negócio à estrutura jurídica previamente imaginada, a estrutura deve nascer da compreensão dos objetivos empresariais.
Em um mercado no qual capital, empresas e pessoas circulam entre diferentes jurisdições, Luzone vê o advogado internacional cada vez menos como um especialista isolado e mais como um profissional capaz de conectar diferentes campos de conhecimento.
“O advogado internacional do futuro não será aquele que sabe tudo sobre todos os países. Isso seria impossível. Será aquele capaz de compreender negócios que atravessam fronteiras, fazer as perguntas certas e reunir conhecimento jurídico, empresarial e institucional para ajudar o cliente a tomar decisões melhores.”









