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Perimenopausa: fase ainda negligenciada pode revelar caminho para medicina mais personalizada

 

Durante muito tempo, a saúde da mulher foi abordada de forma padronizada, especialmente em momentos de transição hormonal. Mas a perimenopausa, fase que antecede a menopausa, começa a ganhar um novo olhar dentro da medicina, mais atento às individualidades e menos centrado em respostas genéricas.

Caracterizada por mudanças hormonais progressivas, essa etapa costuma vir acompanhada de alterações no sono, oscilações de humor, variações de energia e transformações metabólicas. Sintomas que, frequentemente, são minimizados ou tratados de forma simplificada.

Para o *Dr. Pedro Andrade*, pesquisador e doutorando na USP e fundador do instituto Genoma, o problema não está apenas nos sintomas, mas na forma como eles são interpretados.

“Muitas vezes, essa fase ainda é negligenciada ou tratada de forma padronizada. Mas o corpo está passando por uma reorganização complexa, que envolve sistemas neuroendócrino, imune, metabólico e emocional”, explica.

Segundo o especialista, a perimenopausa não deve ser vista como um “erro biológico”, mas como uma transição natural, e, ao mesmo tempo, uma janela importante de cuidado.

“É um período em que pequenas vulnerabilidades podem se intensificar, mas também uma oportunidade para intervenções mais precisas e individualizadas”, afirma.

Essa perspectiva tem guiado pesquisas recentes na área de medicina de precisão, incluindo estudos que avaliam como fatores genéticos e ambientais influenciam a experiência de cada mulher durante essa fase.

Entre os focos estão polimorfismos genéticos relacionados a processos metabólicos e hormonais, que podem ajudar a entender por que algumas mulheres apresentam sintomas mais intensos enquanto outras passam por essa transição de forma mais silenciosa.

“O grande ponto é reconhecer que não existem mulheres iguais. Cada organismo carrega uma história própria, genética, ambiental e emocional, que precisa ser considerada no cuidado”, destaca o médico.

Essa mudança de abordagem representa uma transformação mais ampla na medicina contemporânea: sair de protocolos rígidos para uma escuta mais individualizada.

Nesse contexto, sintomas deixam de ser vistos como exageros ou fragilidades e passam a ser entendidos como sinais legítimos do corpo.

“A pergunta deixa de ser apenas ‘qual é o diagnóstico?’ e passa a ser ‘quem é essa mulher que está vivendo esse processo?’”, pontua.

Para especialistas, esse olhar mais atento pode não apenas melhorar a qualidade de vida durante a perimenopausa, mas também impactar a saúde a longo prazo.

Porque, mais do que tratar sintomas, o desafio está em compreender o indivíduo por trás deles.

E talvez seja justamente nas fases mais desafiadoras da vida que a medicina encontre espaço para se tornar mais precisa, e mais humana.

Thiago Michelasi

Thiago Michelasi é jornalista, assessor de imprensa e apresentador de TV. Atualmente é CEO do Tô Na Fama!, portal parceiro de conteúdo do IG e apresentador do Programa Tô Na Fama! em afiliadas da Rede TV!. Além disso é colunista no Cartão de Visita do R7, no IG Gente, no Meia Hora e de diversos outros portais além de já ter sido colunista também no Observatório dos Famosos do UOL. Siga Thiago Michelasi no Instagram: instagram.com/thiagomichelasi
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