Da natureza aos laboratórios: cientista aposta em microrganismos para criar soluções sustentáveis
Cientista desenvolve soluções microbianas aplicadas à indústria cosmética e meio ambiente

Cada vez mais presente no desenvolvimento de soluções inovadoras, a biotecnologia vem ampliando sua importância em áreas estratégicas como saúde, agricultura, cosméticos e indústria química. O avanço das pesquisas tem impulsionado a criação de alternativas sustentáveis capazes de reduzir impactos ambientais, otimizar processos produtivos e gerar produtos de maior valor agregado. Nesse contexto, o pesquisador e gerente de projetos Nemanja Jankovic se destaca por sua atuação em microbiologia aplicada e biotecnologia microbiana, com foco no desenvolvimento de bioprodutos de alto valor agregado a partir de microrganismos.
Com uma trajetória consolidada na área, Jankovic reúne ampla experiência profissional e uma sólida formação acadêmica. Atualmente atua no Rio de Janeiro, onde desenvolve pesquisas e projetos voltados à microbiologia e à biotecnologia. É graduado em Engenharia Química e Bioquímica, mestre em Pesquisa Biomédica com ênfase em Biotecnologia e doutor em Ciências Biológicas, na área de Biofísica. O especialista também integra a American Society for Microbiology, uma das mais importantes entidades científicas do mundo dedicadas ao estudo dos microrganismos.
A atuação de Jankovic se conecta diretamente ao avanço da bioeconomia, que utiliza recursos biológicos como base para o desenvolvimento de novos produtos e processos sustentáveis.


“Os microrganismos representam uma das maiores plataformas naturais de inovação disponíveis para a humanidade. Eles podem produzir moléculas capazes de transformar diversos setores industriais”, afirma o pesquisador.
A pesquisa aplicada conduzida por ele envolve tanto microrganismos encontrados na natureza quanto organismos geneticamente modificados, com o objetivo de aumentar a eficiência produtiva e reduzir impactos ambientais. A proposta é substituir processos convencionais dependentes de recursos não renováveis por alternativas baseadas em biotecnologia.
Um dos trabalhos recentes do pesquisador está ligado ao sequenciamento e análise do genoma da bactéria Sphingobium yanoikuyae A-TP, publicado em periódico internacional da área de microbiologia. O estudo faz parte de uma linha de pesquisa voltada à compreensão do potencial genético de microrganismos com aplicações em indústria de aromas e fragrâncias.
“Os terpenos são importantes precursores e ingredientes de aromas e fragrâncias. O limoneno, por exemplo, é um dos compostos obtido como subproduto na indústria de sucos cítricos e que confere o aroma típico de laranja. Procurando nas informações “escondidas” em genomas das bactérias que naturalmente transformam este composto, podemos decifrar as rotas metabólicas que levam a produção de fragrâncias com diferentes características olfativas. Geralmente, os derivados de substratos terpênicos produzidos biotecnologicamente tendem ter um valor agregado maior que encontrado na matéria-prima” o que é vantajoso do ponto de vista de investimento em desenvolvimento novos bioprocessos”, afirma o pesquisador.
Para ele, o Brasil ocupa posição estratégica nesse cenário global devido à sua biodiversidade e capacidade científica. “O Brasil possui uma riqueza biológica extraordinária que pode ser convertida em conhecimento, inovação e desenvolvimento sustentável quando utilizada de forma responsável”, afirma. Por exemplo, as florestas nativas no Brasil, como a Mata Atlântica, representam um recurso com grande potencial genético para desenvolvimento de novas moléculas e enzimas para aplicação em setores de cosméticos e farmacêuticos.
Outra frente relevante envolve o desenvolvimento de métodos biológicos para a remediação de corpos d’água contaminados por metais pesados. “Sabemos que ostras e outros moluscos nativos do Brasil produzem proteínas que se ligam com alta afinidade aos metais pesados. Inserindo a informação genética para produção destas proteínas em bactérias com alta tolerância a metais, podemos produzir sistemas biológicos para biorremediação de efluentes poluídos com estes metais.” Essa premissa levou à concessão de uma patente de biorremediação ao grupo de cientistas da UFRJ do qual Jankovic fez parte durante o mestrado. De acordo com o pesquisador, além de contribuir para a recuperação ambiental de rios, lagos e reservatórios, esses microrganismos também apresentam potencial para aplicações em biomineração, possibilitando a recuperação de metais de interesse econômico mesmo quando estão presentes em concentrações muito baixas, consideradas inviáveis para exploração por métodos convencionais. O estudo abre caminho para soluções mais sustentáveis ao conciliar a preservação ambiental com o aproveitamento eficiente de recursos minerais.
“Quando combinamos biodiversidade, ciência e tecnologia, conseguimos desenvolver soluções inovadoras que geram benefícios econômicos e ambientais ao mesmo tempo”, destaca Jankovic.
No entanto, o avanço do setor depende de equilíbrio entre inovação e regulação adequada. Ele reforça ainda a importância do marco regulatório e do respeito aos conhecimentos tradicionais associados ao patrimônio genético.
“Construir uma bioeconomia forte depende não apenas da inovação científica, mas também do respeito à legislação e à valorização dos conhecimentos tradicionais que fazem parte da nossa história”, conclui.
Com atuação voltada à pesquisa aplicada e inovação, Nemanja Jankovic se consolida como um dos nomes ligados ao avanço da biotecnologia moderna, aproximando ciência, sustentabilidade e desenvolvimento econômico em soluções com impacto real na sociedade.









