John Krigsman e os R$ 50 milhões que redesenham Sorocaba
Empresário do Grupo Montalug transforma a cidade em base de expansão industrial, geração de empregos técnicos e adensamento produtivo. O título de Cidadão Sorocabano entra como símbolo político de uma trajetória que já movimenta a economia local com investimentos de grande porte

Em tempos em que parte do empresariado brasileiro se contenta em repetir discursos vazios sobre inovação e eficiência, John Krigsman tenta sustentar sua trajetória em um terreno mais concreto, o da indústria pesada, da formação técnica e do investimento produtivo. Fundador do Grupo Montalug, ele se consolidou em Sorocaba como um nome ligado à montagem industrial, ao transporte técnico de cargas especiais e às operações de engenharia de grande escala. O reconhecimento com o título de Cidadão Sorocabano, concedido pela Câmara Municipal, aparece nesse contexto menos como gesto protocolar e mais como chancela pública a uma atuação que já ultrapassa os limites do setor privado.
Natural do Paraná, Krigsman chegou ainda criança à cidade e construiu ali sua formação. Estudou em escolas públicas de Sorocaba e, mais tarde, acumulou quatro graduações em Engenharia e uma em Medicina Veterinária, combinação pouco usual, mas reveladora de um perfil que associa disciplina técnica, pragmatismo e ambição de escala. Não por acaso, ele costuma defender o conhecimento como ativo central da liderança. Em um país marcado pela baixa produtividade e pelo desprezo histórico à qualificação técnica, sua narrativa pessoal dialoga com um ideal clássico de ascensão pela formação, pelo trabalho e pela capacidade de transformar experiência em estrutura.
Sob seu comando, o Grupo Montalug ampliou presença em segmentos estratégicos da infraestrutura industrial, com atuação em sistemas EPC e turn-key, além de operações com guindastes de alta capacidade. Mais do que diversificar serviços, a empresa fincou em Sorocaba seu eixo de crescimento. É aí que os números ganham peso político e econômico. Os investimentos que já ultrapassam R$ 50 milhões não se resumem à expansão patrimonial de uma companhia. Eles se refletem em galpões, frota, contratação de mão de obra especializada, fortalecimento de fornecedores e circulação de renda em torno de uma cadeia que depende de planejamento, capacidade técnica e permanência territorial.
A própria leitura que Krigsman faz de sua atuação aponta nessa direção. Segundo ele, houve um momento em que a empresa deixou de ser apenas uma operação privada e passou a integrar a engrenagem econômica da cidade. Não é um diagnóstico trivial. Num país em que boa parte do debate sobre desenvolvimento local foi sequestrada por slogans, reconhecer a função estruturante da indústria ainda deveria causar algum constrangimento aos que trocaram política de produção por marketing de ocasião. Quando um empresário amplia estrutura, gera empregos técnicos e cria demanda para fornecedores locais, ele altera o metabolismo econômico do território. Sorocaba, no caso, deixa de ser apenas endereço empresarial e passa a operar como plataforma real de expansão.
O título de Cidadão Sorocabano, portanto, não encerra uma história. Abre uma nova etapa. Krigsman já deixou claro que seu projeto é transformar a cidade em um polo industrial ainda mais robusto do Grupo Montalug, com fabricação de estruturas metálicas de grande porte, montagem pesada e operações integradas de engenharia, logística e içamento. O que está em jogo não é apenas a consagração individual de um empresário reconhecido até pela Forbes em sua trajetória. O que se desenha é um modelo de desenvolvimento ancorado em base local, investimento contínuo e visão de longo prazo. Em um Brasil acostumado a promessas ocas e improviso de palanque, R$ 50 milhões aplicados em estrutura talvez digam mais do que muitos discursos. E Sorocaba, nesse tabuleiro, parece ter entendido o recado.









